Conversamos com Pedro Franz

Foto de Rafael Roncato

HOJE receberemos Pedro Franz, que vai lançar Incidente em Tunguska e Vanessa C. Rodrigues, que lança Anunciação. Conversamos com a Vanessa na quinta-feira e hoje é a vez do Pedro. Segue a entrevista.

Do que se trata Incidente em Tugunska?
Pedro – Bom, acho que o que une essas páginas é, principalmente, a presença de relacionamentos.

Como foi que surgiu o seu processo em várias etapas, que envolveu além da HQ, exposição e um mestrado?
Pedro – A pesquisa desse mestrado se deu tanto no trabalho feito na dissertação, quanto na exposição e na publicação da história em quadrinhos. E isso aparece lá na introdução da dissertação: que essa investigação foi sucessiva em sua forma poética e dissertativa e “que eu espero ter conseguido que as duas partes do trabalho se complementem e possam ser lidas, e entendidas, da mesma forma como as produzi: como uma coisa só, como uma investigação sobre a história em quadrinhos contemporânea”. Quando iniciei o mestrado, minha ideia inicial era desenvolver uma HQ que falasse sobre o estado de exceção em que vivemos, ou seja, meu projeto seria o Cão cego, rei monstro. Mas durante o mestrado, comecei a pensar e a produzir o Incidente em Tunguska, e percebi que as questões que me interessavam neste trabalho surgiam muito do que eu estava pensando e estudando na minha pesquisa de mestrado, que é sobre aproximações entre a história em quadrinhos e as artes visuais, sobre lugares de intersecção, sobre trabalhos onde os quadrinhos e as artes visuais se confundem e se impregnam um do outro. Isto é, o meu lado quadrinista e meu lado pesquisador andam bem grudados tanto em minha pesquisa acadêmica quanto em minha produção como artista: o meu lado quadrinista direciona minha pesquisa, e meu lado pesquisador envolve minha prática artística, e daí a necessidade de que a pesquisa fosse apresentada através dessas três formas (e quase incluiu ainda uma quarta que envolveria uma curadoria). E nesse sentido, eu concordo com o que diz Irit Rogoff, que sugere que o artista deve ser um teórico e aponta o quão conectadas estão essas duas práticas já que “as velhas fronteiras entre fazer e teorizar, historicizar e expor, criticar e afirmar, estão há muito tempo corroídas”. Ela propõe que não podemos perguntar o que deve ser um artista sem nos perguntarmos também o que é um teórico e afirma que “o trabalho da teoria é desentranhar as próprias bases sobre as quais se sustenta. Introduzir questões de incerteza nos lugares nos quais previamente havia um consenso aparente sobre o que se fazia e sobre como se fazia”.

O que te chamou a atenção nessa explosão da Sibéria a ponto de você desenvolver um projeto como esse?
Pedro – Ah, é tudo tão incrível nesse lance. Eu soube dele lendo o Contra o Dia, do Pynchon, e aí, em dado momento, rola tudo envolvendo o evento…e, ok, é um romance histórico, mas daquele jeito do Pynchon e pensei que essa parte era invenção dele. E aí depois vi que isso tinha rolado e como permanecia sem uma certeza sobre sua causa e todas as teorias que envolviam o evento. E o que eu acho mais bonito no evento de Tunguska é exatamente essa falta de explicação. Sempre que leio sobre o incidente, aparecem lá as teorias falando da possibilidade de ser isso, de ser aquilo, de o Tesla estar envolvido, de ser um meteorito ou até algo alienígena e tudo isso. E nessas incertezas, eu percebi as conexões com os temas que queria lidar nesse trabalho, com as dúvidas entre as aproximações entre quadrinhos e artes visuais e com a própria ideia de ficção.

Costumeiramente você mantém seus trabalhos online, mesmo tendo pensado em um formato físico pra eles. Cão cego, rei monstro vai ter uma versão impressa? Essa HQ pensada pra ser postada diretamente online pediu uma forma diferente de criar?
Pedro – Na verdade, o caso aqui é parecido com o que houve com o Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo, que também saiu primeiro na internet, mas foi o tempo todo pensado pra ser impresso. No Cão cego, rei monstro, o formato e as cores, por exemplo, surgiram pensando em como ele ficaria impresso. Desenho todas as páginas da HQ em formato A4, quase sempre com um grid bem fixo de 2 quadros por páginas (com poucas variações) e é dessa forma que será impresso. Essa HQ é um projeto antigo, sobre o qual venho pensando, escrevendo e anotando ideias há mais de três anos. Vai ser um livro bem grande, com muitos personagens e muitas histórias que se misturam… ainda demora bastante até ficar pronto acho, mas já conversei com uma editora que, se até lá nada mudar, publicará o trabalho.

Você já tem novos projetos em andamento?
Pedro – Sim, bastante coisa, alguns começados, outros que vou anotando coisas e tentando entender o que são. Mas em resumo: posso dizer que ainda continuo fazendo o Cão cego, que preciso terminar o Bellini, que venho escrevendo algo com a Vanessa C. Rodrigues e que ainda nem sabemos direito o que é… bom, tem mais uma porção de coisas. E estou há uns meses pesquisando e escrevendo pra uma HQ, que (tô torcendo!) logo mais deve sair.

A bagaça começa às 16h, aqui na loja, venham! E vocês viram o presentinho que quem comprar o livro vai ganhar, né?

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