Conversamos com Greg e Bianca, de “Eles estão por aí”

Vamos receber Bianca Pinheiro e Greg Stella na Itiban no próximo sábado, 16h,  praquele tradicional bate-papo com o público e sessão de autógrafos de seu livro mais recente, Eles estão pro aí. Ou seja, no dia 19 de maio, eles estarão por aqui! (DSCLP)

Pra dar um gostinho do que vem por aí, conversamos com o casal por email:

Existiu alguma diferença no processo de vocês entre Meu pai é um homem da montanha e Eles estão por aí? Como surgiu esse livro?
Bianca: sim. Já de partida a diferença está no modo como a HQ como projeto surgiu. Meu pai é um homem da montanha veio de uma sugestão que o Greg me deu para um quadrinho de terror (que eu queria fazer para lançar no FIQ de 2015 mas ainda não tinha história). Aí sugeri que fizéssemos juntos já que a ideia era dele.
Eles estão por aí é todo do Greg. Ele me contou a HQ quase inteira no final da CCXP 2016 e ele mesmo ia desenhar. Eu é que gostei tanto da ideia que pedi para participar com os desenhos. Os diálogos foram todos escritos por ele a partir das cenas que ele já havia definido. E eu ajudei um pouco na hora de definir o storyboard e fiquei com a parte do desenho, claro.

Greg: foi diferente. No Meu pai é um homem da montanha a parte de layouts ficou toda com a com a Bianca e, quando isso foi feito, ainda não tínhamos o texto definido, foi tudo meio que na base do “o personagem nessa parte diz mais ou menos isso ou aquilo, deixa um espaço aí pro texto”. A gente sentou um dia, eu descrevi as cenas que tinha imaginado e a Bianca foi quadrinizando (montando o storyboard). Então a coisa toda foi da minha cabeça direto pras thumbs da Bianca. É claro que nessa fase de preparação a gente ia discutindo tudo e aproveitou pra dar uma ajeitada nas cenas e nos layouts. No geral, acho que foi um processo meio desengonçado.
No Eles estão por aí a gente trabalhou de forma bem mais inteligente, eu acho. Antes da Bianca desenhar qualquer coisa, a gente planejava bem as cenas. Ou seja, a gente sempre ia pro storyboard com os diálogos, as pausas e as ações principais todas definidas e devidamente anotadas. Isso não significa, é claro, que a gente não fazia ajustes, mas, de qualquer forma, foi um trabalho mais organizado. Além disso, dessa vez eu participei mais ativamente da elaboração dos layouts de páginas.

Página de Me pai é um homem da montanha

Eles estão por aí é o trabalho favorito de vocês? Onde, sem falsa modéstia, vocês acham que acertaram bonito com o livro?
B: li o livro pela primeira vez quando os exemplares prontos enviados pela Todavia chegaram aqui em casa. Até então eu não conseguia ler porque quando se está muito próximo do trabalho é difícil entender onde ele funciona e onde não funciona. Mas depois de lê-lo direito pela primeira vez, achei na verdade uma HQ muito cativante. E triste. Achei que os diálogos, o tempo, o ritmo e as páginas funcionaram bem. E como o livro como objeto é grande e imponente e lindão, a experiência de ler a cópia física é muito mais legal do que ler digitalmente (que era como o conhecíamos até então). Parece livro de gente grande. Gostei bastante do resultado final.

G: é meu favorito, sim. Pra começo de conversa, adorei o livro em si, o objeto. Achei muito bonito! (e agradeço ao André Conti, nosso editor, por ter nos convencido a aprovar aquela capa, hehe.) ainda não consegui ler o livro direito, porque ainda não consegui me afastar o suficiente pra isso. Mas folheando o livro, lendo um trecho ou outro, acho que a gente acertou no visual, no design das coisas e das páginas. Acho que é um livro que me chamaria a atenção se eu pegasse pra dar uma olhada numa livraria. Espero mesmo ter acertado no ritmo também, ritmo é a coisa mais importante numa HQ.

Como vocês definem o que vai ser trabalho pessoal e o que vai ser parceria? Há de interferência/sugestão/participação do Greg nos trabalhos da Bianca e da Bianca nos do Greg?
B: conversamos um pouco sobre essa pergunta, hahaha. O Greg notou que geralmente se a ideia é minha eu mesma faço a HQ por conta. Se é dele, a gente decide se ele fará sozinho ou se faremos em equipe. Mas o caso das Bruxas Caçadoras, que é a HQ na qual estamos trabalhando agora, o Greg sugeriu que fizéssemos um quadrinho divertido. E ele tinha a premissa e o setup do cenário. A partir daí fomos criando.
Quanto à participação do Greg nos meus trabalhos, sim, muita! O Greg na verdade atua como meu editor em tudo o que eu faço. É ele quem ajeita meus textos, que diz o que está bom e o que está ruim, e quem me dá sugestões de para onde a história pode ir, essas coisas. Posso afirmar com certeza absoluta que nenhum dos meus quadrinhos (nem mesmo Bear 1 e Dora, os primeiros) existiriam se o Greg não estivesse comigo.

Uma página de Bruxa Caçadoras

G: acho que é assim: se o argumento é da Bianca, a HQ é dela e eu fico no suporte; se o argumento é meu, a gente conversa, e pesa bem as coisas, antes de decidir se vai fazer e se vai ser parceria ou não.
E sim, a Bianca participa muito daquilo que eu faço, não importa muito o que seja. ela é minha leitora beta e pode dar aquela “olhada de fora”, que é uma coisa fundamental se você não quer depender do seu olhar viciado.

Como foi o processo editorial com a Todavia? Foi muito diferente do independente ou mesmo de quando a Bianca fez Mônica: Força?
B: foi muito diferente sim. Primeiro porque como o livro não é focado exclusivamente no enredo, o (ótimo) trabalho de edição do André Conti (editor da Todavia) foi bastante diferente do de Sidney Gusman (editor da MSP). Em ambos os casos, no entanto, valorizamos bastante a presença do editor, porque quando estamos os dois (Greg e eu) trabalhando no mesmo quadrinho, fica muito difícil para nós entendermos onde a narrativa funciona e onde está ruim. Nesse caso do Eles estão por aí nós fomos obrigados a acreditar na palavra do André quando ele dizia que estava bom porque, honestamente, pra gente nada mais fazia sentido e as 200 páginas da HQ eram pura porcaria. Eu obviamente mudei de ideia hahahahah!

G: isso aí.

Bianca, você está trabalhando em algum quadrinho solo?
B: Não. Quero dizer, sim. Mas não ativamente. O foco agora está nas Bruxas Caçadoras, que tô fazendo com o Greg.

Greg, você está trabalhando em algum quadrinho solo?
G: sim! É uma webcomic chamada Grantilda, a bárbara espacial (e Gustaf, o feiticeiro aposentado), que você pode ler no http://grantilda.tumblr.com

Página de Grantilda

Quais são os planos da La Gougoutte (grupo de quadrinistas do qual ambos fazem parte) pra este ano?
B: o Alexandre está trabalhando numa HQ longa que ele tá fazendo em parceria com o Lielson Zeni (também conhecido como “você”, hehehe), que deve sair ainda esse ano (?), talvez ano que vem.
O Yoshi tá terminando o segundo livro da série Eventos semi-apocalípticos, que vai se chamar Gilmar (e que, inclusive, está no catarse!), e já tá com outra ideia fervilhando na cabeça.
A gente tá trabalhando no Bruxas Caçadoras, que vai ser publicado capítulo a capítulo na internet e, se tudo der certo, vai ser impresso ainda esse ano. o Greg tá com Grantilda e com outro projeto doido aí. Eu tenho outras coisas planejadas pra esse ano ainda, mas é quase tudo preparação pra coisas que virão no ano que vem.

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