Chegou na Itiban

Novidades em quadrinhos, vem pra cá!

Vai ter lançamento sábado, hein?

Mensur, de Rafael Coutinho

Quadrinho português

Erzsébet, de Nunsky.

Quadrinho independente

Hotel Califórnia, de Cleber Augusto e Felipe Dias

HQ sobre síndrome de down

Não era você que eu esperava, de Fabien Toulmé

Supers

As mais Belas Fábulas: v.5 – Clamor pelo Glamour, Flash – A Guerra dos Gorilas, Vampiro Americano v. 06, Frankenstein – O Prometeu Moderno

Mangás

, Sherlock #1, Knights of Sidonia #9, My Hero Academia #2, Cavaleiros do Zodíaco – Sainta Sho #3, Btoom! #21, Blade #8, Blood Blockade Battlefront #7, FullMetal Alchimist #8, Seven Deadly Sins #22, Fort of Apocalypse #1, Ultraman #8, Freezing #30, To Love UR #10, Nigeru Otoko – O Homem que Foge

tem livro também

Os fuzis e as flechas – História de Sangue e Resistência Indígena na Ditadura, de Rubens Valente

A árvore generosa, de Shel Silverstein (tradução de Fernando Sabino)

Uma História do Samba – as origens, de Lira Neto

 

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Conversamos com Rafael Coutinho

Sábado tem lançamento do Rafael Coutinho aqui na Itiban, com bate-papo mediado pelo inenarrável Liber Paz. Já começamos um papo com o Rafa por email e o tema segue pro sábado. Venha participar dessa conversa e pegar seu autógrafo, dia 1 de abril, 16h.

Se liga na conversa até aqui:

Retrato de Rafael Coutinho. Foto: Carolina Vianna

 

ITIBAN: Conta pra gente sobre o que é Mensur e de onde veio a vontade de fazer esse quadrinho.

RAFAEL COUTINHO: É uma prática que ainda vigora em alguns países da Europa, e que vem lá do século XVI, na qual dois lutadores duelam em uma luta muito regrada e dura, com espadas, protegidos por uma roupa espeça distribuída em diversas partes do corpo. O objetivo é acertar o oponente no rosto, e a luta é também um teste de resistência e demonstração de virilidade. É mais um ritual de passagem do que uma luta propriamente dita, e em um segundo momento os lutadores também passam por um processo de sutura, e em ambos os momentos, tanto no duelo quando depois, ambos precisam não demonstrar nenhum sinal de dor ou de angústia.

A vontade veio quando li o livro O Cultivo do Ódio, do historiador Peter Gay, onde ele descreve, junto de outros registros e pesquisas sobre a expressão do ódio em praticas e dinâmicas sociais no século XIX na Europa. E coincidia com meu desejo pessoal de abordar o tema da violência, tanto simbólica quando literal, mexido por questões pessoais que me acompanhavam já há alguns anos sobre o assunto. Então decidi transpor a prática pro Brasil atual e construir o universo da história em volta de um grupo de amigos que teria praticado de forma amadora no interior de Minas Gerais e em que um garoto teria morrido. A história acabou se desenvolvendo em torno de um dos personagens, o Gringo, com o qual convivi intimamente nesses últimos sete anos.

O que levou mais tempo nesse processo de sete anos de trabalho com Mensur?

Acho que foi o miolo, o meio. Fiquei o primeiro ano só escrevendo e pesquisando. Escrevi sete, oito tratamentos, fiz muitas leituras com amigos e principalmente com o André Conti, meu editor durante o período em que fiz o livro.

Ao fim desse primeiro ano percebi que a história, que estava prevista pra ter mais ou menos 100 páginas, teria no mínimo 170, e havia muitos pontos em que os elementos não fechavam formalmente como eu achava que fechariam, e durante os próximos anos fui tendo que encaixar no meio de muitas outras funções que exerci, de trabalhos diversos e de mudanças drásticas na minha vida particular, como o nascimento dos meus dois filhos, mudança de casa etc. Passei a desenvolver uma relação com o livro de vida mesmo. Viver com o livro, deixar que ele se misturasse as minhas questões e mudanças, reentender ele sob o prisma desses acontecimentos, e renegociar com os personagens e a trama o que cederia e o que não cederia a tudo isso. De certa forma fui compreendendo melhor cada um deles, e me sentindo mais pronto pra abordar o projeto na profundidade que ele pedia.

 

Comparando com Cachalote e Beijo Adolescente, como você posiciona Mensur em sua produção?

Sinto que é um ponto de conclusão em um arco de acontecimentos e projetos que me nortearam nesses últimos dez anos. E que começou com minha decisão de fazer quadrinhos longos, profissionalmente, lá atrás, quando conheci o Galera. Antes disso vejo outro arco, onde estudei artes plásticas e produzi de uma forma muito livre junto de toda uma geração, quando conheci amigos de diversas áreas que me ajudaram a construir minha identidade como desenhista e quadrinista. O bom de ter distanciamento é ver que as escolhas estão todas conectadas e que há uma relação entre elas. Ainda não consigo ver com clareza o que é e o que significa fechar esse novo arco, mas sinto que concluí uma etapa e que preciso de um tempo pra abrir outra. Continuo trabalhando, mas darei um tempo dos livros grandes, preciso desse tempo agora.

 Então, além da promoção de Mensur, quais são os próximos passos?

Esse ano finalmente colocaremos pra andar um projeto de muitos anos do Angeli e do meu pai, a BAIACU, uma residência de quadrinhos que resultará em publicações impressas e digitais, um site com conteúdo desse processo, e um monte de ações relacionadas a essa empreitada. É um projeto muito importante pra gente e que acredito que será muito forte e importante pra todos. Ele resgata uma experiência que vem lá dos anos 80 deles, e é fruto desse desejo deles de fazer algo novo e forte novamente, e sou muito grato por fazer parte disso.

Farei também com o MIS aqui de SP a segunda edição da DES.GRÁFICA, projeto voltado para a experimentação nos quadrinhos, com feira, palestras e publicações.

É um ano de bastante estrada também, dando aula, palestras e participando de eventos. Participo de um programa maravilhoso do Sesc, em que eles convidam artistas pra darem cursos em unidades do Sesc mais afastadas das grandes capitais. Fiz o ano passado todo e foi muito importante pra mim, quero muito continuar com isso.

Continuo com os encontros com artistas e da produção em dupla, outra coisa que engatou ano passado de uma forma muito inesperada e que me dá muito prazer e me obriga a descobrir soluções novas o tempo todo. Farei uma agora com o pintor Pedro Ivo Verçosa, uma série grande de pequenas telas, pintando nudes de quem quiser se envolver.

Há outras frentes que também vêm do ano passado, e que conduzirei esse ano, como o site de pesquisa em publicações CMYX, que devo pegar com mais força esse ano também. E claro, sou desenhista, devo em algum momento retomar as atividades em projetos como ilustrador e artista plástico. Se der tempo, gostaria de retomar o raciocínio narrativo em histórias curtas, mas quero mesmo esse tempo pra me reciclar narrativamente.

 

Laerte e você deram um curso de desenho juntos. De que forma isso te faz pensar sobre seu próprio trabalho? Qual é o grande barato desse curso?

Ainda está rolando, dura dois meses. É algo que bolamos juntos e que nos trás muito material de reflexão, que nos tira do conforto das nossas linguagens e maneirismos gráficos. Além de ser um grupo de pessoas sempre muito interessante e plural, cada um com sua concepção de mundo, tentando entender desenho em suas próprias vidas, o coração da coisa é o modelo. Olhar pra ele, ver com detalhe, com calma, reaprender a olhar as coisas. É meio infinito esse papo, não sei se consigo resumir, mas foi com modelo vivo que mudei meu traço em três momentos bem cruciais pra mim, onde vi que tinha conseguido abrir novas portas e saídas. Fizemos três edições desse encontro, e isso sempre acontece – uma espécie de minicatarse importantíssima pra mim. Imagino que pro meu pai também, sei que é bem vital pra ele.

 Além de autor, você é um “agitador do meio”. Mesmo com o fim da Narval, você segue reunindo pessoas e desenvolvendo projetos. tem alguma coisa que esteja acontecendo/pra acontecer em 2017?

Mais do mesmo, cara. Não consigo me distanciar muito disso, é algo que me toca profundamente. Não consigo aceitar a mediocridade do nosso mercado, o que nos oferecem é muito pouco. Me refiro ao meio, ao mercado, ao mundo neoliberal, ao cosmos. Se posso mudar algo, vou continuar tentando, conversando com meus colegas, gente com quem desenvolvi um tipo muito profundo de conexão. Somos uma grande família mesmo, pro mal e pro bem. Só não dá pra aceitar festa de fim de ano sem presente, sinto muito. O presente tem que ser mudança estrutural, posicionamento ativo, mudança o tempo todo, pesquisa, estudo. Ser autor não é mais ficar sentado reclamando de editora, sendo pura e exclusivamente autor, isolado na torre de marfim da própria poética. Esse é um modelo antigo, e precisamos construir um novo, pra ontem.

 

Segue o baile.

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Lançamento de Mensur na Itiban

Anota aí: no dia 1 de abril, sábado, Rafael Coutinho chega na Itiban pra autografar seu novo lançamento Mensur e conversar com o público.

Veja o release abaixo:

LANÇAMENTO DE MENSUR, DE RAFAEL COUTINHO

No dia 1 de abril, sábado, às 16h, Rafael Coutinho, autor de Mensur, estará na Itiban Comic Shop para o lançamento de seu trabalho, bate-papo com o público e sessão de autógrafos.

 

Sobre o Autor

Rafael Coutinho é quadrinista, ilustrador, editor e artista plástico, que trabalha com diferentes suportes. Expõe desde 2007 na galeria Choque Cultural (SP), participou de coletâneas de quadrinhos, como Bang Bang (Devir) e Contos dos irmãos Grimm (Desiderata). Sua antiga editora, Narval Comix, publicou a coleção MIL (12 revistas mudas de 12 artistas), Gazarra (pôsteres quadrinhos) e a coleção FRANCA, além de diversos outros materiais. Coutinho já lançou Cachalote (Quadrinhos na Cia.) em parceria com Daniel Galera, Drink, e três números de O beijo adolescente. Foi indicado ao prêmio Jabuti de ilustração pelo seu trabalho em As surpreendentes aventuras do Barão de Munchausen (Cosac Naify). Lança este ano Mensur (Quadrinhos na Cia.).

 

Sobre a obra

 Mensur é uma luta de espada surgida na Europa no Século 15, praticada entre homens de fraternidades universitárias, que acabavam marcados com cicatrizes no rosto por conta do combate. Rafael Coutinho imagina as marcas, não apenas físicas, que uma comunidade de universitários brasileiros de mensur, por meio da história de Gringo, um dos últimos praticantes dessa arte, e de suas andanças por diversos estados do País. A arte cuidadosa de Coutinho faz um duelo de linhas e pontos pra emoldurar a busca de Gringo e marca a página de forma a lhe sugerir um movimento que é, ao mesmo tempo, uma luta que busca o sangue e uma dança que quer encantar.

 

Sobre o local do evento

A Itiban Comic Shop fica na rua Silva Jardim, 845, ao lado da UTFPR, em Curitiba. Mais informações com Mitie, no telefone (41) 3232-5367 ou pelo e-mail mitietaketani@gmail.com.

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Chegou na Itiban

Sim, mais gibi

Quadrinho de aventura supimpa

Hilda e o Troll, de Luke Pearson

Quadrinização do relato de uma menina perseguida pelo nazismo

O diário de Anne Frank em quadrinhos, de Mirella Spinelli

Outra Ugrito maneiríssima

Cadeado, de Juscelino Neco

Adaptações de contos de Ray Bradbury

Teatro das sombras, de Joe Hill, Neil Gaiman, Audrey Niffenegger, Sam Weller, Harlan Ellison, Dave Eggers, Charles Yu, Mort Castle e Alice Hoffman (roteiros), e Charles Paul Wilson III, Maria Fröhlich, Eddie Campbell, Mark Sexton, Matthew Don Smith, Christine Larsen, S L Gallant e Chris Evenhuis (artes).

O clássico caubói em cores

Tex em Cores #31

Muito gibi de super-herói

 

Batman #52, Batman & Robin Eterno #11, Thor #1, Nova Marvel # 4, Deadpool Extra #1 e #2, Deadpool clássico #3 e #4, Homem-Aranha: Aranhaverso  #8, Invencível Homem de Ferro # 2 e #3, Liga da Justiça #52, Velho Logan #6 e #7, Os vingadores #4, Universo DC #52, Lanterna verde #52, Superman #51, Academia Gotham – Final de temporada, Guardiões da galáxia – Ângela, Gotham – DPGC v.3: Sob suspeita, Infinito (Nova Marvel Deluxe), Star Wars – Skywalker ataca, LJA #9, X-men #2, Doutor estranho #3, Homem-aranha Deadpool #1, O espetacular Homem-aranha #4, Demolidor #12, Guardiões da galáxia #3, Esquadrão suicida #11, A sombra do Batman: Grayson Fora das Sombras #1, Arlequina #11, Batman Ano – A Era de Bronze #1, Juiz Dredd: Missionário, Mulher-Maravilha – Lendas do Universo DC George Pérez v.1

E muito mangá também

Tokyo Ghoul #10, Beelzebub #27, Akame Ga Kill #6, AraKawa Under the Bridge #5, Bleach #72, Uqholder #6, Magi #26, Pinóquio de Osamu Tezuka, Fairy Tail #57, Laços Proibidos (de Ahiru Okano), Ghost in the shell, Nijigahara Holograph (de Inio Asano), My Hero Academia #3, Zetman #16, Full Metal Alchemist #7,Terra Formars #16, Blame! #2, Corpse Party Another Party #2, Suicide Club, Cavaleiros Do Zodíaco – Kanzenban #2, Dragons Dogma Progress #1, Pokémon Red Green Blue #3, Lovely Complex #7, Blood Lad #15, Fate StayNight #15, Ataque dos Titãs #20, Tutor Hitman Reborn #42, Naruto Gold Edition #20, One Piece #66, Ore Monogatari #5, Pandora Hearts #6, Toriko #24, Slam Dunk #3, Vagabond #13, YoKai Watch #7, Quem é Sakamoto #1

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Chegou na Itiban

Muito, mas muito quadrinho maneiro

A história da diva do jazz por dois renomados quadrinistas

Billie Holiday, de José Muñoz e Carlos Sampayo

E toma mais lançamentos da Mino

Soldador subaquático, de Jeff Lemire

Cais, de Janaína de Luna e Pedro Cobiaco

Mar, de Diego Sanchez

Finalmente, o segundo volume

Xampu v.2, de Roger Cruz

Adaptação de clássico do cinema expressionista

Caligari!, de Alexandre Telles

Material europeu

Verões felizes, de Zidrou e Jordi Lafebre

Quadrinho independente

Blitzkrieg, de Bruno Seelig

Não me arrependo de nada, de João Montanaro

 

Livrões

Empenas, de Andrés Sandoval

Millôr: Obra gráfica

Cadernos de Literatura Brasileira: Euclides da Cunha

O Supermacho, de Alfred Jarry, com tradução de Paulo Leminski e ilustras do Andrés Sandoval

tesourinhos!

Blutch

David B.

Chester Brown

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Quintanilha na Itiban

Recebemos mais uma vez na Itiban o sempre bem-vindo Marcello Quintanilha. Na quinta-feira, 9 de março, entre 16h e 18h ele estará na loja pra conversar com os leitores e autografar suas obras.

Quem aparecer por aqui receberá um ex-libris lindão impresso pela Selva Press (ó lá na imagem acima).

Abaixo, o release do evento:

MARCELLO QUINTANILHA AUTOGRAFA NA ITIBAN

No dia 9 de março, quinta-feira, entre 16h e 18h, o quadrinista Marcello Quintanilha estará na Itiban Comic Shop para sessão de autógrafos. Os clientes que forem à Itiban recebem um ex-libris que também será assinado pelo autor.

A imagem do ex-libris é de uma personagem de sua obra mais recente, Hinário nacional e foi impresso em risografia pela Selva Press. Hinário Nacional é um pequeno e delicado épico em que a história de diversos personagens sem entrelaçam sutilmente. São histórias de pequenas tristezas e grandes dramas, todos vividos silenciosamente.

O autor também ministrará uma oficina intensiva de história em quadrinhos na Club Comics, nos dias 8 e 9 de março, das 19h às 21h.

Nascido em Niterói em 1971 e radicado em Barcelona, Marcello Quintanilha teve seu primeiro quadrinho publicado em 1988, nas revistas de terror e artes marciais da editora Bloch. Desde então colaborou com revistas como General, Nervos de Aço e Heavy Metal, além dos jornais espanhóis La Vanguardia e El País. É autor de diversos livros que retratam o cotidiano brasileiro em crônicas visuais e teve obras publicadas na Europa. Recentemente publicou no Brasil as HQs Sábado dos meus amores (Conrad), Almas públicas (Conrad) e o livro de desenhos Cidades Ilustradas: Salvador (Casa 21).

Ao longo de seus mais de 20 anos de carreira, Quintanilha levou alguns dos principais prêmios de quadrinhos nacionais, como HQ Mix e Bienal de Quadrinhos. A edição francesa de Tungstênio foi premiada em Angoulême em 2016 (o álbum também teve lançamento em Portugal, Espanha e Polônia) e está sendo adaptado para o cinema. O longa tem direção de Heitor Dhália (Cheiro do ralo), roteiro de Marçal Aquino e Fernando Bonassi, consultoria artística de Guel Arraes e conta com José Dumont e Wesley Guimarães no elenco. A produção é da Paranoid filmes e a coprodução da Globo filmes.

http://www.paranoidbr.com/

Talco de vidro foi publicado e premiado (Prémio Splash 2017 de melhor obra estrangeira) na Espanha e também deve chegar ao mercado franco-belga ainda este ano. Publicou recentemente pela Veneta os álbuns Tungstênio (2014), Talco de vidro (2015) e Hinário nacional (2016).

Sobre o local do evento

A Itiban Comic Shop fica na rua Silva Jardim, 845, ao lado da UTFPR, em Curitiba. Mais informações com Mitie, no telefone (41) 3232-5367 ou pelo e-mail mitietaketani@gmail.com.

Sobre a Club Comics

A Club Comics fica na Rua Portugal, 463, em Curitiba. Mais informações no (41) 3013-1118 e no contato@clubcomics.com.br

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Conversamos com Alessandro Andreola e Clayton Junior

Amanhã vai ter o lançamento afetivo de Música do dia na Itiban. Conversamos com o escritor do livro, Alessandro Andreola, e com o ilustrador Clayton Junior sobre a obra e, claro, música. Segue abaixo:

Alessandro Andreola

Como surgiu o Música do dia? Quando pensou em escrever o livro?
O livro nasceu de uma vontade de preservar parte do material que produzi durante os anos em que trabalhei no Power Music Club, antigo site de streaming de músicas da finada GVT. Quando o site saiu do ar, esse material foi para o limbo da internet. Mas eu sempre guardei meus textos e, desde o fim do serviço, em 2015, pensava na possibilidade de reunir alguns deles em livro. Não foi uma tarefa fácil, porque escrevi cerca de cinco mil resenhas, notícias, artigos e entrevistas para o site. Para o livro, selecionei 96 textos que foram divididos em três partes: “Playlist”, com pequenas crônicas sobre diversas canções; “Álbuns”, com análises de discos que considero fundamentais; e “Perfis”, com textos um pouco mais longos, cujo foco é em historias curiosas que envolvem artistas que admiro. Acho que o resultado final traz um apanhado bastante próximo, ainda que incompleto, do que realmente gosto de ouvir — daí o “afetivo” do subtítulo. E, de quebra, ainda faz um apanhado de coisas bacanas da música popular nos últimos 70 anos.

De que forma as ilustrações do Clayton Junior se relacionam com os textos?
Desde o início do projeto combinei com o Clayton que ele teria liberdade total para escolher quais textos gostaria de ilustrar. Isso ajudou muito a dar o tom na hora de organizar o material, inclusive na ordenação dos textos. Além de deixar o livro muito mais interessante e de apresentar uma visão gráfica e pessoal sobre essas músicas, álbuns e artistas, as ilustrações serviram também como norte para a própria tarefa de editar o material. E, claro, elas são incríveis por si só. As releituras das capas dos álbuns, por exemplo, mereciam um livro só para elas.

O que você prefere: um livro sobre canções ou uma música sobre livros? Por quê?
Acho um pouco bizarro que, seja lá por que razão, a inspiração literária para a música apareça com mais proeminência em bandas de metal ou de rock progressivo — coisas extravagantes, como “Journey To The Center Of The Earth”, do Rick Wakeman. Porque apesar de artistas como Morrissey, Nick Cave ou o Velvet Underground, por exemplo, fazerem referências literárias em suas letras, é sempre algo mais contido. Mas, no fim das contas, escolho os livros sobre música. Acho que dá para aprender mais sobre música lendo Tempestade de Ritmos ou Chega de Saudade, do Ruy Castro, ou os textos de gente como Greil Marcus, Lester Bangs, Simon Reynolds e Alex Ross, do que absorver literatura via música pop.

Poderia falar sobre sua editora Barbante? Quais os projetos futuros ?
Costumo dizer que a Barbante não é uma editora que lançou um livro, mas que foi um livro que lançou a Barbante. A editora nasceu no meio dessa vontade de se autopublicar, e, quanto mais nós (sendo “nós” eu e minha sócia, a Paola Marques) percebemos a viabilidade da coisa, fomos formatando a editora. Em pouco mais de seis meses de atividade estamos com dois livros lançados: além do Música do dia, no final de 2016 saiu Wadad, do fotógrafo Eduardo Macarios, em que ele faz um recorte da imigração libanesa no Brasil por meio de fotos do arquivo familiar e do diário da avó. É algo muito delicado e especial, com um tratamento gráfico à altura: capa dura revestida em tecido e acabamentos em baixo relevo e serigrafia. É de certa forma o que resume a proposta da Barbante: fazer livros de música, cinema, design e fotografia em tiragens limitadas e numeradas, com acabamentos diferenciados. A nossa ideia é lançar mais um título ainda neste semestre. Provavelmente será mais um volume dedicado à música.

Sugira uma música do dia para o lançamento.
Mais do que um lançamento, vai ser um encontro de velhos amigos em um lugar que frequentamos há mais de 20 anos. A Itiban faz parte da nossa formação cultural e afetiva. Por isso vai ser muito legal poder lançar esse trabalho em um espaço tão especial para mim. Então teria que ser uma música de festa. Podia ser “Loaded”, do Primal Scream. Nem que seja só por aquela introdução com o Peter Fonda falando: “We’re gonna have a good time! We’re gonna have a party!” É isso aí.

Clayton Junior

Como foi o processo de ilustrar o livro Música do dia? Você foi pautado pelo Alessandro ou teve liberdade total?
Tirando o fato que tinha de ser preto e branco, tive liberdade total. Ele me passou a lista dos músicos/músicas/álbuns e eu escolhi meus favoritos, levando em conta que ficassem bem balanceados no decorrer do livro. Depois ele me passou os textos, eu dei uma pesquisada de imagens aqui e ali e já sai riscando pra não perder tempo.

Você também é músico. Como relaciona desenho e música?
Eu não me chamaria de músico, mas gosto de tocar, tive banda, etc. Mas, pra mim, música e desenho são bichos diferentes. Eu gosto de tocar com outras pessoas, mas não me divirto muito tocando sozinho. Já desenho pra mim é uma coisa bem introspectiva, que geralmente eu faço em silêncio. Volta e meia uma ideias visuais me aparecem quando estou escutando música, ou assistindo um show. Mas quando elas chegam no papel, já estão bem diferentes.

Quando faz quadrinhos e livros ilustrados, você inclui música no processo?
Como eu disse ali, eu geralmente desenho em silêncio, mas se tem pessoas falando no ambiente e eu preciso me concentrar eu coloco fone e escuto coisas mais abstratas, na linha do Kid A do Radiohead, Yo La Tengo, Monster Rally. E em várias ocasiões eu tenho música ao vivo enquanto eu desenho. Em São Paulo, meu vizinho era trombonista de uma banda de salsa, e meu estúdio em Londres tem um estúdio de ensaio em cima e um bar de jazz literalmente na porta ao lado. Eu gosto, me lembra do meu tempo de Belas Artes quando sempre tinha alguém tocando piano, tímpano, trompete em alguma sala do prédio.

Morando em Londres há bastante tempo, como vê o mercado de quadrinhos europeu? Quais os próximos projetos?
O quadrinho europeu é muito diverso, tem um pouco de tudo em todo lugar. O Reino Unido tá finalmente despertando pra leitura graphic novel, que por mais incrível que pareça nunca foi uma cultura muito difundida por lá. Já a França é o contrário: tem uma produção enorme e é de longe o maior mercado. Quanto aos meus projetos, eu vou lançar em maio na França a minha primeira graphic novel, pela editora Sarbacane. Vai se chamar Sauvages, e é sobre um cachorro de fazenda. E em junho eu começo a publicar uma webcomic no site ErcComics (erccomics.com), que vai durar 10 meses. É um projeto de quadrinhos inspirados pelas pesquisas científicas que andam rolando União Europeia. A minha história é em colaboração com o cientista francês Mickael Tanter, que inventou uma tecnologia portátil de imagem cerebral de altíssima resolução, baseado em um ultrassom, que promete revolucionar o estudo sobre o cérebro.

Sugira uma música do dia para o lançamento.
Eu colocaria uma mixtape que o Alessandro me deu de presente de aniversário de 16 anos. Desenterrei ela dessa vez que vim pra cá e fiquei viajando. Tem desde “Summer 68”, do Pink Floyd até “I had a Dream, Joe”, do Nick Cave. Quem que com aquela idade escutava Nick Cave? Não é a toa que escreveu um livro tão bom sobre rock.

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