Os primeiros finalistas do Jabuti para quadrinhos

O mais prestigiado prêmio editorial do país, o Jabuti, anunciou ontem seus finalistas em todas as categorias e, pela primeira vez, tem uma lista só com obras de HQ. Confira quem são os 10 selecionados — com vários links:

Bulldogma (Veneta, 2016), de Wagner Willian

“Bulldogma” não entrega sua história do jeito fácil, mas na leitura, seja ela de uma sentada (com um par de horas) ou espaçada entre dias, entende-se e convive-se com as regras desse universo. ERICO ASSIS

Carolina (Veneta, 2016), de Sirlene Barbosa e João Pinheiro

Afinal de contas, não se trata de uma biografia completa, nem um ensaio sobre a literatura de Carolina. Mas tampouco é uma pesquisa pela sua “psicologia”, que tem tanto de falhado como de frustante. Carolina não é retratada como génio oculto, nem como santa. Não se trata de uma mulher com uma capacidade maior de observação ou de justiça social. É simplesmente uma voz, de uma classe subalterna (ou várias classes, imbricadas entre si) que acabou por conquistar “um direito à esfera pública”. Nem mais nem menos.  PEDRO MOURA.

Castanha do Pará (independente, 2016), de Gildati Jr.

O quadrinho é todo narrado por uma vizinha do Castanha [protagonista com cabeça de urubu], que chamou a polícia pra contar sobre o sumiço do garoto […] e vai contando com suas convicções meio tortas, com suas meias-verdades. CARLOS NETO

Coisas de Adornar Paredes (Quadrinhofilia, 2016), de José Aguiar

Histórias simples, realistas, terra a terra (que elogio que isto é!), que fazem lembrar, pela simplicidade e abordagem o mestre Will Eisner e que poderiam ser, várias delas, um belo romance gráfico, assim Aguiar o tivesse desejado. PEDRO CLETO

Hinário Nacional (Veneta, 2016), de Marcello Quintanilha

Esse livro parece que tem o ritmo emocional de um álbum.  Parece que tô ouvindo um disco, cheio de sonoridades mutáveis, cada uma com seu propósito de ressaltar uma emoção. PAULO CECCONI

Hitomi (Balão, 2016), de Ricardo Hirsch e George Schaal

Hirsch foi sábio em usar poucos textos, deixando que a arte de Schall se desdobrasse, percorrendo as páginas enquanto nos conduz pela história, que é mais composta de silêncios contemplativos, sendo muito econômica no emprego dos diálogos, que surgem pontuais. É um ritmo bem oriental, mas que em nenhum momento soa monótono ou desinteressante. RODRIGO F.S. SOUZA

Quadrinhos dos Anos 10 (Quadrinhos na Cia., 2016), de André Dahmer

O resumo da contra capa afirma que o riso é “meio doído, mas um riso mesmo assim”. Eu não poderia definir melhor. Ao ler Dahmer, estamos rindo da nossa própria desgraça – e adorando isso. ARIEL CARVALHO

Rasga-Mortalhas (Zarabatana, 2016), de Diogo Bercito e Pedro Vergani

O uso muito preciso do vermelho vivo, em contraste com o preto e as folhas levemente amareladas e algo ásperas, características do papel Pólen, dão à história ares de fábula. Mas uma que não é edificante, apenas necessária: o mundo e as histórias que fazem parte dele vão acabar; para isso, são necessárias tratativas para que esse final chegue a contento. DELFIN

Savana de Pedra (Austral, 2016), de Felipe Castilho, Wagner Willian e Tainan Rocha

Quando a gente pensa em um quadro, uma ilustração, até um certo ponto tudo é válido. Você dedica um tempo para ver a ilustração, para apreciar seus detalhes e a compreensão não precisa ser imediatista (salvo algo publicitário). Mas as histórias em quadrinho são uma linguagem a parte, mesmo uma história muda tem que ser lida. A arte não tem que ser só bonita, simbólica, potente, ela tem que tem que passar uma mensagem clara, ela tem que contar uma história. ZÉ OLIBONI

Você é um Babaca, Bernardo (Mino, 2016), de Alexandre Lourenço

Observe como o Alexandre S. Lourenço aproveita o “vazio” sem requadros para diagramar suas páginas, inclusive quando essa rotina se quebra, estabelecendo ritmos e impactando a leitura condicionada que o leitor estava começando a se acostumar quando entendeu os sentidos do storytelling. AUDACI JUNIOR

Além deles, outros 2 quadrinistas concorrem ao Jabuti, mas na categoria Ilustração de obra infantil ou juvenil:

 

Rogério Coelho, de Louco: Fuga (Panini, 2015) e O barco dos sonhos (Positivo, 2015)por A Botija Encantada, DCL, 2016.

 

Eloar Guazzelli, de Apocalipse Nau (Nós, 2015) e Kaputt (Wmf Martins Fontes, 2015) – por Coleção Imaginário: Monteiro Lobato, Globinho, 2016.

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Chegou na Itiban

Novidades da semana na lodjinha!

A Devir publica o clássico desse sensei do mangá

O Homem que Passeia, de Jiro Taniguchi

A Mythos vem com 2 edições de Hellboy

Hellboy – Edição Histórica v.8: A Feiticeira Troll, de Mike Mignola, Richard Corben, P. Craig Russel e David Stewart; Hellboy v. 1: Sementes da Destruição, de Mike Mignola, John Byrne

Panini Vertigo

Homem-Animal: Formas misteriosas v.1, de Jamie Delano, Will Simpson, Steve Pugh e Russ Braun

super-herói da Panini

Justiceiro MAX: Desabrigado, Star Wars: Darth Vader #20, Star Wars, Marvels, Velho Logan #14, Cavaleiro da Lua v.5 Nova Marvel: Avante, Vingadores #9, Os Novos Vingadores: Infinito, Doutor Estranho #10, Viúva Negra #2, Guardiões da Galáxia #10, O Espetacular Homem-Aranha #11


Batman: Arlequina DC Renascimento: Arlequina #5, Aquaman v.2, Grandes Astros Batman #4

E mangás da Panini e da JBC

Fort of Apocalypse #7, Fairy Tail #60, Ajin #7, Inuyashiki #3, Noragami #8, Tokyo Ghoul #14, Yo Kai Watch #14, O Novo Lobo Solitario v.4, Vagabond v.20

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Chegou na Itiban

Novidades, confere aí:

Veneta na área

Couro de Gato: Uma História do Samba, de Carlos Patati e João Sánchez; Wasteland Scumfucks: Terra do Demônio, de Yuri M.

The Wicked + The Divine v.1; The Wicked + The Divine v.2 – Fandemônio, de Kieron Gillen,  Jamie McKelvie, Matt Wilson

Mangás

Lobo Solitário v.4, Madoka Magica: The Movie Rebellion #2, A voz do Silêncio v.1, v.2 e  v.3, Oremonogatari #8, Quem é Sakamoto ? #4, Seraph of the End #3, Toriko #27, Your Lie In April #3, Blood Lad #6, Lovely Complex #10, Naruto Gold Edition #26, Ninja Slayer #7, Nisekoi #3, One Week Friends #4. REPOSIÇÃO: No Game No Life #1, #2, #3 e #8, Gate 7 #1, #2, #3, No.6 v. 2, Dororo #1, Kimba: O Leão Branco #2, Don Dracula #2, Metropolis, 5 centímetros por segundo #2, Log Horizon: Livro 3, Fate/Zero#01, #4, #5 e #6, Helter Skelter, Kotonoha No Niwa, Croquis, Fallen Moon, Corpse Party: Musume v. 1, v.2 e v.3, Alice Hearts #1

Supers

Coleção Histórica Paladinos Marvel v.3, Excalibur v.3 Nova Marvel: Thor 7, Cap. América #7, Deadpool #11, Vingadores #11

Lendas do Universo DC – George Perez: Mulher-Maravilha v.4, Jack Kirby: Superpowers – Lendas do Universo DC v.1, DC Renascimento: Action Comics #6, Mulher-Maravilha #6, Batman do Futuro #1, Detective Comics #6, Esquadrão Suícida v.4, Universo DC Titãs v.1

Modo Avião, de Lucas Santana, João Paulo Cuenca e Rafael Coutinho

Vários livros infantis

Morton choca ovos, de Dr. Seuss

A caça ao Snark, de Lewis Carrol (ilustração de Chris Riddell; tradução de Bruna Beber)

Nas águas do Rio Negro, de Dráuzio Varella (lustração de Odilon Moraes)

Leve, de Sandra Dieckmann

A alma secreta dos passarinhos, de Paulo Venturelli (ilustração de Elisabeth Teixeira)

Rosa, de Odilon Moraes

João do Pum, de Mario Prata (ilustração caco Galhardo)

O lagarto, de José Saramago (ilustração de J. Borges)

Maria Antonieta e o Gnomo, de Índigo (ilustração de Mika Takahashi)

Maysa: Só numa multidão de amores, Lira Neto

Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf

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Chegou na itiban

Muito gibi maneiro! Vem pra cá!

A estreia de uma revista sobre quadrinhos

Plaf #1, editada por Carol Almeida, Dandara Palankof e Paulo Floro

Um grande lançamento da WMF Martins Fontes

Maria chorou aos pés de Jesus, de Chester Brown

Dois lançamentos da Quadrinhos na Cia.

Como falar com garotas em festas, de Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá

Hilda e o gigante, de Luke Pearson

A história da cachorrinha astronauta

Laika, de Nick Abadzis

Chegou a DarkSide:

Meu amigo Dahmer, de Jeff Backderf

Fragmentos do horror, de Junji Ito

Wytches, de Scott Snyder e Jock

Os livros da editora Pipoca & Nanquim

Espadas e Bruxas, de Esteban Maroto; Cannon, de Wallace Wood

Vertigo

Hellblazer: Origens v.3 (reposição) e Monstro do Pântano: Raízes do Mal v.3

Super-heróis

Kirby Genesis, Esquadrão Suicida Novos 52: Ponto sem volta, Superman: Entre a foice e o martelo, Deadpool Classico #5, Maiores Super-Heróis do Mundo, Star Wars: Darth Vader #19, Star Wars #19

DC Renascimento: Exterminador v.1, Mulher-Maravilha #5, Esquadrão Suicida #3, O Novo Superman #1, Os Jovens Titãs #2, Asa Noturna #1, Batman #6, Liga da Justiça #6, Superman #6

Homem-Aranha: Aranhaverso #15; Nova Marvel: Homem-Aranha #10, Velho Logan #13, Deadpool Extra #08, Invencível Homem de Ferro #9, Justiceiro #5, X-Men #8, Motoqueiro Fantasma #2

Mangás

Cavaleiros do Zodíaco: Saint Seya Kanzenban #5, Full Metal Alchemist #13, Pandora Hearts #9, One Piece #70, Zetman #19, Magi #29, Btoom! #22, Fort of Apocalypse #6, To Love RU #13, Your Name #1, Vagabond #18 e #19, Slam Dunk #6, Yo Kai Watch #13, The Testament of Sister New Devil #7

Tem livro também

Caminhar e parar, de Francesco Careri

Dias Bárbaros: Uma vida no surfe, de William Finnegan

A faca sutil, de Philip Pullman

Belchior: Apenas um rapaz latino-americano, de Jotabê Medeiros

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Conversamos com Bá e Moon

Trocamos uma ideia com os gêmeos sobre a produção de Como conversar com garotas em festas (Quadrinhos na Cia, 2017), que vai ser lançado na Itiban na quarta-feira que vem, véspera de feriado (6 de setembro). Lembrando antes da leitura da entrevista, que quem comprar o livro na Itiban, ganha um ex-libris exclusivo para o lançamento.

Qual foi a participação de Neil Gaiman na quadrinização de Como conversar com garotas em festas?
Fábio Moon- Não foi muito grande não, assim como com o Milton (Hatoum) no Dois Irmãos. Nós tivemos liberdade para fazer a nossa versão, a nossa leitura. Mas, ao mesmo tempo, ele foi uma presença muito maior durante a produção, porque tinha que aprovar cada etapa do processo. O Milton viu o livro praticamente pronto, enquanto o Neil Gaiman viu o roteiro antes de a gente começar a desenhar, viu as páginas em preto e branco antes de a gente começar a colorir, e ajudou a escolher entre as ideias a que acabou virando as capas. Ele confiou no nosso trabalho, mas estava sempre de olho.
Gabriel Bá- Uma coisa que ele ajudou foi na composição do personagem principal. Ele nos mandou umas fotos de quando ele tinha aquela idade, e o personagem Enn, que no conto já é um alter ego do Neil, também no gibi foi pensado com o jovem Neil na cabeça.

Quando surgiu o convite pra esse livro? Vocês aceitaram de imediato? Como dividiram as “tarefas”?
Gabriel- Estávamos no último ano de produção do Dois Irmãos ainda e a possibilidade de fazer outra adaptação nem passava pelas nossas cabeças, mas então a Diana Schutz, editora da Dark Horse, nos escreveu fazendo o convite. O último ano de produção do Dois Irmãos já era o quarto ano trabalhando no livro, e achávamos que seria nossa última adaptação, mas a chance de poder adaptar uma história do Neil Gaiman, e ainda poder contar essa história em particular, uma história sobre a estranheza juvenil nos primeiros relacionamentos, que tem tanta relação com o tipo de Quadrinhos que gostamos de fazer, era imperdível, e o convite, irrecusável.
Fábio- Como o Bá ainda ia passar o ano inteiro desenhando Dois Irmãos, e como eu e o Bá temos essa opinião (não sei se correta, mas ainda assim) de que eu desenho melhor mulheres – e sabendo que na histórias teríamos várias mulheres pra desenhar –, já de cara decidimos que eu faria o desenho da história. Fizemos o roteiro juntos, da maneira que aprimoramos no Dois Irmãos, com rascunhos das páginas sendo feitos ao mesmo tempo em que o texto final era escrito, então o roteiro é uma miniversão da história, um roteiro visual, desenhado. Assim, no roteiro que mostramos para a editora e para o Neil já dava para ver quantos quadrinhos tinha cada página, o enquadramento, o ritmo visual de leitura.
Gabriel- Chegamos a pensar que os dois poderiam colorir a história, usando a mesma técnica da aquarela, mas quando chegou a hora de colorir, a gente já tinha outros projetos em andamento (mais Casanova e mais Umbrella Academy), então o Fábio acabou embalando na cor e fez tudo.
Fábio- além do roteiro, o Bá também teve que me manter na linha e não deixar eu ficar com preguiça no meio do caminho. A gente sempre fica no pé um do outro quando a gente sabe que dá pra ficar melhor.

Dois irmãos também foi uma adaptação literária, assim como O alienista. A extensão dos textos (mais longo no livro de Hatoum; menor no conto de Gaiman) tem alguma influência na adaptação?
Gabriel- Nas nossas adaptações, tem. Só adaptamos histórias e autores que gostamos, e tentamos manter o máximo do texto que gostamos do original, para que ainda tenha o estilo da escrita, o sabor original. Mas a dinâmica narrativa dos Quadrinhos é outra, então precisamos pensar mais no espaço que as imagens precisam do que o espaço que o texto precisa. Sempre que possível, queremos deixar o espaço que a história precisa para contá-la como uma boa HQ.

Fazer Dois irmãos e O alienista tornou de alguma maneira mais fácil o trabalho em Como falar com garotas em festas?
Fábio- A gente vai aprendendo com cada livro. Aprendendo sobre o ritmo de leitura dos Quadrinhos, aprendendo sobre como escolher a parte mais importante do texto, e como enxergar qual parte funciona melhor como imagem na adaptação.
Gabriel- Mas fazer Quadrinhos nunca é fácil. Pelo menos, pra gente. O tipo de desenho que a gente tem demora, e tem demorado cada vez mais pelo tempo que a gente leva criando o mundo da história, os personagens, e mesmo o tempo que demora para desenhar cada página. E nesse caso a gente ainda decidiu colorir tudo com aquarela, à mão, o que tornou esse um dos livros mais difíceis que a gente já fez.

Qual foi a diferença nos três processos?
Fábio- No Alienista, a gente tinha limites. Tinha três meses para fazer o livro inteiro e tinha um número fixo de páginas. Como o Alienista era um conto, deu para contar uma boa HQ. E acabamos fazendo a HQ em quatro meses, demorou um mês para colorir, mas esse prazo era porque a editora na época nunca tinha publicado Quadrinhos antes, não sabia quanto tempo demorava pra fazer, e na época a gente trabalhou feito loucos pra fazer o roteiro em um mês e sessenta páginas em dois.
Gabriel- No Dois Irmãos, já falamos de cara pro André Conti (o editor) que a gente só faria se não tivesse limite de páginas, porque a gente não gosta de adaptação que é resumo do original, e pra fazer jus ao romance, a gente ia precisar de todas as páginas possíveis. E a gente não tinha prazo, porque era um trabalho muito longo, e a gente ia precisar continuar os outros projetos no exterior enquanto produzia o livro ao mesmo tempo. A gente achou que ia demorar dois anos no livro, mas acabou demorando quatro.
Fábio- Agora, a gente também não tinha limite de páginas, mas a gente tinha um prazo que não conseguiu cumprir. A Diana Schutz editou nosso primeiro livro na Dark Horse, o De:TALES, e ela ia se aposentar depois desse livro, então nosso prazo era terminar o livro antes dela se aposentar, e esse seria seu último livro. Acabamos terminando o livro quase um ano depois que ela se aposentou, mas felizmente ela continuou trabalhando no livro como freelancer para a editora. No final, para esse livro o mais importante é que ficasse bom, então não tinha porque fazer com pressa. Levou dois anos de trabalho.

É de alguma forma diferente pensar em uma criação que é de vocês desde a ideia inicial e de adaptar prosa literária?
Gabriel- Com certeza. Nós amamos contar histórias, e quando gostamos de uma história em outro meio, como a literatura, e achamos que ela daria uma ótima HQ, então aceitamos o desafio de realizar a adaptação, e a partir daí nosso trabalho é o de misturar o que mais gostamos do original com o nosso próprio trabalho, a nossa sensibilidade, o nosso estilo. Nossas adaptações são nossas, quem gosta do nosso trabalho vê nas adaptações o nosso estilo. Mesmo assim, criar uma história do zero é totalmente diferente. É poder contar uma história diferente do que está sendo feito em outros meios.
Fábio- Queremos contar histórias diferentes do que vemos em outros meios e diferentes do que vemos em Quadrinhos, aproveitando as qualidades narrativas que só os Quadrinhos oferecem. Essa busca pelo que ainda não foi feito nos inspira mais do que recontar uma boa história.

Vocês já tem algum próximo projeto em desenvolvimento? Se sim, podem falar sobre ele?
Gabriel- Continuamos produzindo para o mercado exterior as séries que colaboramos com outros roteiristas. Eu estou desenhando mais Umbrella Academy e o Fábio está esperando o próximo roteiro do Casanova pra desenhar.

Numa entrevista vcs falaram que já receberam muitas propostas para adaptação de Daytripper para o cinema, mas até agora não fecharam nada. Gostariam de ter mais controle sobre a adaptação, participar do roteiro, escolha de elenco… Têm preferência por algum diretor?
Fábio- A gente gostaria de ter mais controle sobre isso, mas ao mesmo tempo não acho tão importante ficar pensando numa adaptação. Cinema e TV são monstros muito diferentes dos Quadrinhos, e a gente sabe fazer Quadrinhos. Deixa quem sabe fazer cinema e TV pensar na linguagem deles.
Gabriel- Ainda existe muito pra se fazer em Quadrinhos, para explorar a linguagem, para aprender sobre o próprio trabalho. Nosso foco sempre foi e continua sendo o de levar os Quadrinhos, não só os nossos, pra mais longe, pra mais gente. O grande sucesso de adaptações para o cinema e para a TV está trazendo o interesse de cada vez mais gente para os Quadrinhos, agora que não é hora mesmo de pensar em outra coisa.

Já são 20 anos do lançamento da primeira 10 pãezinhos. Há algo programado, como relançamentos ou novas histórias autorais?
Fábio- Como todos os livros dos 10 Pãezinhos estão esgotados, o jeito mais prático de colocá-los disponíveis para uma nova geração de leitores que está descobrindo o nosso trabalho é de maneira digital, então fizemos essa parceria com o Social Comics para republicar esse material ao longo deste ano para comemorar esses 20 anos. O Girassol e a Lua entrou no site em abril, e eu estou terminando a nova edição do Meu Coração, Não Sei Por Quê. Reescaneamos todas as páginas, e estamos refazendo os balões para essas novas edições.

Olhando para o começo da carreira de vocês e o que vivenciam atualmente, quais foram as principais mudanças?
Gabriel – Durante os primeiros 10 anos da nossa carreira, produzimos nossos Quadrinhos ao mesmo tempo em que trabalhávamos em outras coisas para pagar as contas, como fazem todos os Quadrinistas nacionais até hoje. Acreditávamos nas nossas histórias e era mais importante produzi-las do que poder gozar de um mercado saudável. A ideia de viver de Quadrinhos era um sonho, mas não era o mais importante dos sonhos. Contar boas histórias sempre foi nosso maior objetivo, independente de dar dinheiro ou não.
Fábio – Foi muito importante para nossa carreira as escolhas que fizemos ao longo dos anos, os projetos que escolhemos fazer. Sempre nos preocupamos com os resultados a longo prazo, com os benefícios que cada projeto de Quadrinhos podia trazer para nossa carreira e, quem sabe, para o mercado de Quadrinhos no Brasil. Uma boa história pode quebrar barreiras, atravessar os limites de público e mercado que existiam. Poderia mudar até a concepção dos autores sobre as suas possibilidades. Essa sempre foi a nossa esperança. Depois de 10 anos produzindo Quadrinhos no Brasil, construindo uma carreira boa no nosso mercado, foi só quando vimos a oportunidade certa de investir no mercado americano é que decidimos colocar todos nossos esforços naquilo. Foi uma virada na nossa carreira que culminou também no início de um movimento no mercado nacional.
Gabriel – Conhecemos muitos artistas brasileiros desenhando pra Marvel e DC e sabíamos que essa era uma maneira de viver de Quadrinhos, ganhar uma grana que garantia um vida confortável, mas não foi o nosso caminho no mercado americano. Escolhemos o caminho do Quadrinho Autoral, que demorou mais para dar retorno, mas foi uma das melhores decisões que tomamos.
Fábio – Nossa carreira internacional nos estabeleceu como autores e nos garantiu produzir obras de profundidade e alcance que não tínhamos até aquele momento. Isso foi muito importante para evolução do nosso trabalho, mas também para mudar os conceitos do Quadrinho nacional do que era possível fazer. Sempre acreditamos que não havia limites para os Quadrinhos e acho que essa é uma ideia um pouco mais estabelecida no Quadrinho brasileiro de hoje. Todo mundo está fazendo seus próprios Quadrinhos, com seu próprio estilo. Houve uma explosão de novos autores, novos leitores. Essa foi a grande mudança dos últimos anos, esse crescimento da “cena” tendo os eventos como grandes momentos de celebração.
Gabriel – Como falei lá no início, os autores brasileiros ainda não vivem dos seus Quadrinhos, não temos ainda um mercado que se sustenta, mas se isso não era um problema há 10, 20 anos atrás, hoje é menos ainda. A grande diferença hoje é essa sensação de “cena”, de que existe um grupo grande de autores que estão na mesma situação que você, compartilhando os mesmos ideais, buscando novos caminhos a serem trilhados. O universo dos Quadrinhos era muito solitário, tanto pra autores como para leitores, e isso não é mais assim. A internet conectou todo mundo e os eventos de Quadrinhos transformaram a escala do mercado, se transformando em algo que não existia antes: uma amostra de um mundo onde o público encontra todos os Quadrinhos que quer, os autores encontram o público para seus livros e todo mundo sai feliz e realizado.

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Itiban Sessions: lançamento de Como falar com garotas em festas

No dia 6 de setembro, Fábio Moon e Gabriel Bá estarão na loja para autografar o seu lançamentos Como falar com garotas em festas e bate-papo com o público. A mediação será de Felipe 5 Horas.

O livro é um lançamento da Quadrinhos na Cia e adapta um conto de Neil Gaiman para os quadrinhos. Os primeiros compradores do livro na Itiban ganham este ex-libris lindão impresso em risografia aqui:

Veja o release do evento:

GABRIEL BÁ E FÁBIO MOON NA ITIBAN PARA AUTÓGRAFOS E BATE-PAPO

No dia 6 de setembro, quarta-feira, às 19h, os quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Bá estarão na Itiban Comic Shop para o lançamento de seu trabalho Como falar com garotas em festas (Quadrinhos na Cia.) e celebração de 20 anos de seu primeiro lançamento, 10 pãezinhos. Haverá bate-papo com o público e sessão de autógrafos. Como falar com garotas em festas adapta o conto homônimo de Neil Gaiman, que também terá versão cinematográfica.

Sobre os Autores

FÁBIO MOON e GABRIEL BÁ são irmãos gêmeos e nasceram em 1976, em São Paulo. Publicaram seu primeiro fanzine de quadrinhos em 1993. Formados em Artes Plásticas, criaram em 1997 o fanzine 10 Pãezinhos, que recebeu o prêmio HQ Mix de melhor fanzine e de artistas revelação em 2000, ano em que lançaram seu primeiro livro, O Girassol e a Lua. Durante esse período, os dois têm produzido quadrinhos para o mercado brasileiro e internacional e seus trabalhos já foram publicados em doze idiomas. Em 2008, O alienista, sua adaptação do clássico de Machado de Assis, recebeu um prêmio Jabuti.

Daytripper (Panini, 2011), estreou em primeiro lugar na lista de mais vendidos do New York Times, foi escolhido como uma das melhores graphic novels de 2011 pela revista Publishers Weekly e pela Amazon, e ganhou os prêmios Eisner Award e Harvey Award (Estados Unidos), o Eagle Award (Reino Unido), o prêmio de melhor HQ no festival Les Utopialles, em Nantes, e entrou na seleção oficial do Festival International de la Bande Dessinée d’Angoulême, 2013 (França). Também foi publicado nos Estados Unidos (DC/Vertigo) e na França (Urban Comics).

Seu livro seguinte, Dois irmãos (Quadrinhos na Cia, 2015) adapta para os quadrinhos o livro de mesmo nome de Miltom Hatoum. O livro foi publicado nos Estados Unidos pela Dark Horse (Two Brothers, 2015) e levou novamente os prêmios Eisner e Harvey; também saiu na França pela Urban Comics (Deux Frères, 2015).

Sobre a obra

Enn é um garoto de quinze anos que nunca se dá bem com as garotas, enquanto seu amigo Vic tem todas a seus pés. Na Londres dos anos 1970, auge do punk, os dois estão prestes a viver a aventura mais espetacular de suas vidas. Ao serem convidados para uma festa, conhecem as belas Stella, Wain e Triolet e descobrem mais segredos do que jamais poderiam supor. Do premiado Neil Gaiman, autor de Deuses americanos e Sandman, e adaptado e ilustrado de maneira extraordinária pelos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon, Como falar com garotas em festas é uma graphic novel eletrizante, uma jornada sobre as descobertas do amor, das diferenças e dos mistérios que cercam o amadurecimento.

A obra foi lançada originalmente nos EUA pela Dark Horse (How to talk to girls at parties, 2016) e é a primeira de uma série de graphic novels que adaptam contos de Neil Gaiman para os quadrinhos.

Sobre o local do evento

A Itiban Comic Shop fica na rua Silva Jardim, 845, ao lado da UTFPR, em Curitiba. Mais informações com Mitie, no telefone (41) 3232-5367 ou pelo e-mail

mitietaketani@gmail.com.

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Chegou na Itiban

Novidades na lojinha

Um livro que merece o adjetivo “revolucionário”

Aqui, de Richard McGuire

Uma tese de doutorado em quadrinhos

Desaplanar, de Nick Sousanis

Finalmente, uma coletânea dele

Linha do Trem: The best of, de Rafael Salimena

Também recebemos outros títulos da Draco

Boys Love: Ilha dos perdidos, Boys Love: Meia-noite sem estrelas e Space Opera em Quadrinhos 

Vertigo/WildStorm também tem novidade

Tom Strong v.6: Confins do mundo e Unfollow: 140 tipos

Supers

Thanos: Relatividade Infinita, de Jim Starlin, Batman 66: Entrando Numa Fria, X-Men 92 # 3, Coleção Histórica Paladinos Marvel v.1 e v.2, Guardiões da Galáxia: Guerra dos Reis # 2, Homem-Aranha & Deadpool # 6, Thor: Últimos Dias de Midgard; DC Renascimento: Batman # 5, Detective Comics # 5, Liga da Justiça # 5, Superman # 5, Lanternas Verdes # 5, Grandes Astros Batman # 3, Arlequina # 4, Action Comics # 5; Nova Marvel: Guardiões da Galáxia # 9, Deadpool # 10, Vingadores # 10, Universo Marvel # 10, Dr. Estranho # 9,  Capitão América # 6. 

Mangás

Last Notes #1, Tokyo Ghoul #13, Inuyashiki #2, Akame Ga Kill! #9, Noragami #7, Yo-Kai Watch #12, Steinz Gate (box com #1, #2 e #3),  Cavaleiros do Zodíaco: Sayntia Sho #5, Blame! #5, Terra Formars #18, Blue Exorcist #18, Nisekoi #2, Arakawa Under the Bridge #8, Assassination Classroom #19, Bestiarius #4, Bleach #73, Kimi No Todoke #27, Naruto Golden #25, Novo Lobo Solitário #3, One Piece #69, One-Punch Man #9

Reposição – Akira v.1, The Ghost In the Shell, Seven Deadly Sins #16, #19 e #21, Blame! #1, Full Metal Alchemist #2, #5, #9 e #11

E livros de prosa também

A breve história de sete assassinatos, de Marlon James

Lou Reed: Transformer, de Victor Bockris

Veja mais livrinhos batutas no Instagram.

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