Os primeiros finalistas do Jabuti para quadrinhos

O mais prestigiado prêmio editorial do país, o Jabuti, anunciou ontem seus finalistas em todas as categorias e, pela primeira vez, tem uma lista só com obras de HQ. Confira quem são os 10 selecionados — com vários links:

Bulldogma (Veneta, 2016), de Wagner Willian

“Bulldogma” não entrega sua história do jeito fácil, mas na leitura, seja ela de uma sentada (com um par de horas) ou espaçada entre dias, entende-se e convive-se com as regras desse universo. ERICO ASSIS

Carolina (Veneta, 2016), de Sirlene Barbosa e João Pinheiro

Afinal de contas, não se trata de uma biografia completa, nem um ensaio sobre a literatura de Carolina. Mas tampouco é uma pesquisa pela sua “psicologia”, que tem tanto de falhado como de frustante. Carolina não é retratada como génio oculto, nem como santa. Não se trata de uma mulher com uma capacidade maior de observação ou de justiça social. É simplesmente uma voz, de uma classe subalterna (ou várias classes, imbricadas entre si) que acabou por conquistar “um direito à esfera pública”. Nem mais nem menos.  PEDRO MOURA.

Castanha do Pará (independente, 2016), de Gildati Jr.

O quadrinho é todo narrado por uma vizinha do Castanha [protagonista com cabeça de urubu], que chamou a polícia pra contar sobre o sumiço do garoto […] e vai contando com suas convicções meio tortas, com suas meias-verdades. CARLOS NETO

Coisas de Adornar Paredes (Quadrinhofilia, 2016), de José Aguiar

Histórias simples, realistas, terra a terra (que elogio que isto é!), que fazem lembrar, pela simplicidade e abordagem o mestre Will Eisner e que poderiam ser, várias delas, um belo romance gráfico, assim Aguiar o tivesse desejado. PEDRO CLETO

Hinário Nacional (Veneta, 2016), de Marcello Quintanilha

Esse livro parece que tem o ritmo emocional de um álbum.  Parece que tô ouvindo um disco, cheio de sonoridades mutáveis, cada uma com seu propósito de ressaltar uma emoção. PAULO CECCONI

Hitomi (Balão, 2016), de Ricardo Hirsch e George Schaal

Hirsch foi sábio em usar poucos textos, deixando que a arte de Schall se desdobrasse, percorrendo as páginas enquanto nos conduz pela história, que é mais composta de silêncios contemplativos, sendo muito econômica no emprego dos diálogos, que surgem pontuais. É um ritmo bem oriental, mas que em nenhum momento soa monótono ou desinteressante. RODRIGO F.S. SOUZA

Quadrinhos dos Anos 10 (Quadrinhos na Cia., 2016), de André Dahmer

O resumo da contra capa afirma que o riso é “meio doído, mas um riso mesmo assim”. Eu não poderia definir melhor. Ao ler Dahmer, estamos rindo da nossa própria desgraça – e adorando isso. ARIEL CARVALHO

Rasga-Mortalhas (Zarabatana, 2016), de Diogo Bercito e Pedro Vergani

O uso muito preciso do vermelho vivo, em contraste com o preto e as folhas levemente amareladas e algo ásperas, características do papel Pólen, dão à história ares de fábula. Mas uma que não é edificante, apenas necessária: o mundo e as histórias que fazem parte dele vão acabar; para isso, são necessárias tratativas para que esse final chegue a contento. DELFIN

Savana de Pedra (Austral, 2016), de Felipe Castilho, Wagner Willian e Tainan Rocha

Quando a gente pensa em um quadro, uma ilustração, até um certo ponto tudo é válido. Você dedica um tempo para ver a ilustração, para apreciar seus detalhes e a compreensão não precisa ser imediatista (salvo algo publicitário). Mas as histórias em quadrinho são uma linguagem a parte, mesmo uma história muda tem que ser lida. A arte não tem que ser só bonita, simbólica, potente, ela tem que tem que passar uma mensagem clara, ela tem que contar uma história. ZÉ OLIBONI

Você é um Babaca, Bernardo (Mino, 2016), de Alexandre Lourenço

Observe como o Alexandre S. Lourenço aproveita o “vazio” sem requadros para diagramar suas páginas, inclusive quando essa rotina se quebra, estabelecendo ritmos e impactando a leitura condicionada que o leitor estava começando a se acostumar quando entendeu os sentidos do storytelling. AUDACI JUNIOR

Além deles, outros 2 quadrinistas concorrem ao Jabuti, mas na categoria Ilustração de obra infantil ou juvenil:

 

Rogério Coelho, de Louco: Fuga (Panini, 2015) e O barco dos sonhos (Positivo, 2015)por A Botija Encantada, DCL, 2016.

 

Eloar Guazzelli, de Apocalipse Nau (Nós, 2015) e Kaputt (Wmf Martins Fontes, 2015) – por Coleção Imaginário: Monteiro Lobato, Globinho, 2016.

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