Conversamos com José Aguiar

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José Aguiar é um dos nosso convidados de sábado. No dia 9 ele e Wagner Willian vão autografar seus lançamentos aqui na loja. Conversamos por email com o José, acompanhe:

Como surgiu Coisas de adornar paredes?
José Aguiar – Em 1999 eu publiquei duas HQs de uma página na revista independente Almanaque Entropya 3. Elas já tinham esse título e foram um dos meus primeiros experimentos fora de uma HQ mais convencional. Eu falo delas no posfácio do livro, disponível no blog do projeto. Eu sempre quis retornar ao tema dos objetos e ao longo dos ano fotografei coisas e fiz rascunhos de roteiros no formato de contos. Somente agora, com o incentivo da Lei do Mecenato Municipal de Curitiba pude reunir esse material e recria-lo nesse livro. Dá para dizer que foi um longo processo de maturação. Fico feliz que não tenha acontecido antes, pois pude refletir bastante sobre o que deveria ou não ser relevante no livro. Afinal, é meio abstrato falar da relação das pessoas com objetos em suas paredes. No fim, pode ser que eu tenha feito meu pequeno Além da Imaginação particular. Espero que os leitores gostem da proposta e da estética do livro.

Esse livro tem uma pegada diferente de suas publicações impressas recentes, tipo Folheteen e Nada com coisa alguma. Como ele se situa na sua bibliografia?
José Aguiar – Eu acho que cada experimento é uma continuidade num processo de descoberta. Eu me acho muito limitado como desenhista, então em cada trabalho busco a melhor técnica e forma de realizá-lo. O traço de Folheteen não cabia em Coisas de Adornar paredes, que é um livro mais subjetivo, que fala de memórias emocionais através de objetos cotidianos. Por isso optei pelo PB em vez da cor, sempre presente no que faço. Era necessário deixar a arte em aberto para o leitor mergulhar comigo e preencher o que falta com sua imaginação. É ao mesmo tempo um retorno a um velho amigo desprezado: o pincel. Vivemos num mundo cada vez mais digital, onde muita gente nem tem mais um original em papel para mostrar. Aqui eu abracei o ruído e o branco do papel, um processo bem orgânico de ilustrar. Nada de virtuosismos de traço. Só as manchas insinuando o que preciso mostrar. Foi um ótimo respiro depois de meses trabalhando no suporte virtual do A infância do Brasil, que precisou de uma equipe grande trabalhando comigo para acontecer. Era só eu, o pincel e o papel.

Coisas de adornar paredes na mesa

Coisas de adornar paredes na mesa

Pode falar um pouco desse projeto A infância do Brasil?
José Aguiar – Talvez seja meu trabalho mais engajado, pois proponho uma reflexão de nosso cotidiano conturbado através do contraste com nosso passado. Me propus a viajar pela história do Brasil pelo viés da infância em seis capítulos, cada um ambientado em um século diferente até chegar ao presente. Por mais que os protagonistas sejam crianças, o enfoque não é o lúdico, mas temas que permeiam nossas vidas: nascimento, machismo, abandono, abuso, trabalho… Eu não respondo, mas deixo ao leitor a questão em aberto se essas são coisas que ficaram no passado ou nos acompanham até hoje sob outras formas. Se você não leu ainda, pode conferir a série completa, que possui inclusive uma versão comentada. Acesse gratuitamente em www.ainfanciadobrasil.com.br. Leia, reflita comigo e COMPARTILHE. Este projeto que foi tão desafiador para mim não acaba aqui. Continua com você!

Cena HQ foi interrompido (espero que temporariamente). Poderia fazer um balanço de como foi trabalhar com HQs no teatro?
José Aguiar – Em resumo? Foi lindo! Durante quatro anos, Paulo Biscaia e eu, juntos da atual geração de diretores e atores curitibanos, levamos mensalmente uma HQ ao palco. As vezes a leitura cênica ia além e se tornava uma montagem já pronta para uma estreia, que nunca vinha. Cada apresentação era única. Era a beleza efêmera do teatro se apropriando da atemporalidade das HQs. Ao fim de cada apresentação era feito um debate com o autor da obra, com participação do público e encenadores, o que abria espaço para reflexão sobre ela e a carreira do artista por trás dela. Foram momento incríveis, especialmente para os autores, que se sentiram valorizados por ver suas obras transpostas.
Como curador não quis só estrelas, mas mostrar ao público a diversidade de vozes da HQ, em especial da nacional, com 36 obras de diferentes gerações e regiões do país levadas ao palco. Mas também tivemos três autores argentinos e o inglês David Lloyd conosco.
Infelizmente a Caixa não renovou nosso patrocínio neste ano e demos uma pausa após apresentarmos o meu A Infância do Brasil em fevereiro deste ano. Agora estamos articulando novas formar de retomar esse projeto tão especial e, quem sabe, enfim levá-lo a outras cidades do país.

Ainda tem mais coisa sua pra este ano?
José Aguiar – Não dá para parar, não é mesmo? Continuo regularmente com as tiras de Folheteen e Nada Com Coisa Alguma no jornal Gazeta do Povo e na revista cultural Curitiba Apresenta. Mas já estou elaborando a nova HQ longa de Folheteen (o último álbum saiu em 2013) e quero terminar de escrever outras histórias que tenho na gaveta. Inclusive, estou prospectando a publicação de A Infância do Brasil em papel. Senhores editores, estou à sua disposição para esse livro e novos desafios.

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2 respostas para Conversamos com José Aguiar

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