Um final de semana na CCXP, por Roberval Machado

Um final de semana na CCXP

por Roberval Machado

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Estar na CCXP (Comic Con Experience) gera um misto de emoções conflitantes: empolgação, frustração, alegria, chateação, entre tantas outras. É ótimo e horrível ao mesmo tempo. O evento é muito grande. Dessa grandiosidade vem tanto suas qualidades quanto seus problemas.

Reunir num mesmo lugar Frank Miller, Jim Lee, Adam Sandler e outros astros do cinema, televisão e quadrinhos é realmente algo de respeito. Se eu consegui ver algum deles? Nem de longe!

Nos quatro dias de CCXP estiveram presentes 142 mil pessoas, mas no final de semana estava mais cheio que os primeiros dias, então deveria uma média de 40 mil pessoas nesses dias. É uma prova que a cultura nerd, geek, pop (ou como você queira chamar) realmente está em alta.

Para chagar até o local era fácil. Perto da estação de metrô havia um bem organizado sistema de ônibus tanto para levar quanto para trazer o pessoal da CCXP. Mas desde que se chega lá até o momento em que se entra no pavilhão demora uma hora e meia. As filas são gigantescas.

Lá dentro é que se tem a real noção do tamanho do evento, eram 120 stands numa área de 55 mil metros quadrados e ainda 265 quadrinistas no Artist’s Alley. Os stands era de diversos tamanhos, desde pequenas lojas até grandes conglomerados internacionais.

Alguns dos maiores stands não vendiam nenhum produto, estavam lá apenas para reforçar sua marca nos fãs, como Netflix, Fox e Warner.

Compras

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Quem quisesse comprar quadrinhos havia várias opções de lojas, mas somente nos stands das próprias editoras é que se conseguia algum desconto.

Agora quem estivesse atrás de action figures, miniaturas, bonecos (ou como você queira chamar), tinha muitas opções. Deveria ter mais do que stands de quadrinhos. Opções para todos os bolsos, desde daquelas encontradas em bancas até edições especiais e exclusivas, com preços além do que você possa imaginar.

Pelo número de pessoas com sacolas nas mãos, as vendas eram muito boas. Não só por isso, em alguns stands havia longas filas só para entrar. E lá dentro, muita gente comprando e comprando.

Aliás, isso é algo que chama a atenção: o consumismo envolvido num evento desses. Muita gente comprando e muitos desses comprando muita coisa. Parece que a crise do país não chegou até os frequentadores da CCXP. Mas se chegou, imagine como seria se não houvesse crise…

Palestras

Há um grande número de palestras, painéis e encontros com os artistas. São 3 auditórios com programação simultânea, num total de 135 horas. O maior tem as principais atrações do evento e é o mais difícil de conseguir entrar. Muita gente chega cedo para estar no início da fila para entrar no local e ir direto para a fila do auditório. Mas é muito cedo mesmo! Ouvi relatos que havia gente chegando na noite do dia anterior e que às 3:00 da madrugada já havia mil pessoas na fila! E quem entra no auditório principal dificilmente sai de lá durante o resto do dia, só alguns saem. Ainda assim, forma-se uma fila enorme do lado de fora do auditório de gente com esperança de entrar lá. E essas pessoas são avisadas que a chance de entrar é pequena, mesmo assim permanecem ali.

Eu consegui entrar no auditório principal só na última palestra do sábado, que era sobre o TV Pirata. Isso deve ter acontecido porque antes disso teve uma apresentação de uma nova série da Rede Globo, o que deve ter provocado uma debandada da maior parte de público.

Já nos outros dois auditórios é bem mais tranquilo de entrar. Há algumas palestras mais concorridas, mas em boa parte consegue-se um lugar.

Autógrafos

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A CCXP é ótima oportunidade de conseguir vários autógrafos. Existe uma área de autógrafos e fotos para os figurões convidados. Alguns cobram por isso, geralmente os atores e atrizes, nesse ano ninguém dos quadrinhos cobrou. Fora essa área específica, também existem sessões de autógrafos em alguns stands de editoras e lojas. Mas o principal é mesmo o Artists Alley. Ali estavam artistas vendendo suas obras e autografando. Artistas de todos calibres, desde o independente em início de carreira até grandes figurões internacionais, como era o caso de Mark Waid, Kevin Maguire, Esad Ribic e David Finch. Para esses formava-se longas filas para conseguir um autógrafo, mas não só para eles, também acontecia com os brasileiros envolvidos com a linha Graphic MSP.

Algo muito bacana era ver que o público também se interessava em ver outros quadrinhos, obras que não conheciam. Era praticamente impossível alguém percorrer todas as mesas e não encontrar algo que lhe chamasse a atenção, que não tivesse vontade de ler. É uma boa prova da diversidade do quadrinho brasileiro.

Cosplayers

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O mais legal de um evento de cultura pop é a presença dos cosplayers, talvez seja a sua parte mais divertida. É algo que não existe em nenhum outro tipo de evento. E o público gosta de ver o pessoal caracterizado de algum personagem, tanto que sempre havia um grande número de pessoas querendo tirar fotos com eles. A maioria capricha na fantasia, alguns parecem que investem alto nisso. Mesmo que não tivesse um concurso de cosplayer, acredito que o número de personagens circulando por lá não seria muito diferente.

Dicas

Se você está pensando em ir na próxima edição, algumas dicas que podem ajudar a sobreviver no local:
– Se você quer ver os figurões e conseguir autógrafos, tem que madrugar lá, não tem outro jeito. E como o auditório e a área de autógrafos são separadas, talvez não consiga as duas coisas.
– Antes de ir, analise com atenção a programação e monte uma relação de tudo que você tem interesse, mesmo que seja em horários concorrentes. É bom ter opções, se não conseguir senha para uma sessão de autógrafo pode ser que tenha uma palestra. Tenha isso na agenda do celular que facilita. E mesmo assim, você não vai conseguir cumprir nem metade do que programou.
– Evite almoçar no horário de almoço. As filas na praça de alimentação são enormes. Pelas 15:00 já fica bem mais tranquilo. E prepare o bolso, tudo é caro. Um sanduíche e um refrigerante sai em torno de 30 reais. Aquilo que sua avó chama de comida de verdade é bem mais que isso.
– Ir só um dia é bem corrido, principalmente se quiser visitar todos os stands, conseguir autógrafos, ver alguma palestra. Tem de chegar cedo e ficar até o final. Ir dois dias ajuda a distribuir melhor as atividades, mas é muito cansativo. Para quem é de fora de São Paulo, o ideal parece ser mesmo um dia.

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