Conversamos com Felipe 5 Horas e Denis Mello

Muitos eventos na Itiban: além do lançamento de O beijo adolescente 3 no sábado, receberemos amanhã Felipe 5 Horas (Guia culinário do falido) e Denis Mello (Beladona). Eles vão estar na loja entre 17h e 20h para autógrafos e conversa com os leitores.

Levamos um papo rápido com eles por email:

FELIPE 5 HORAS

Autorretrato de Felipe 5 Horas

Seus quadrinhos anteriores (Uma ilha e Diário 5h – minha melhor metade) tinham saído no FIQ. O que aconteceu nesse sumiço de dois anos? Foi esse período que fez com que seu traço desse esse salto de qualidade?
Felipe – Puxa, obrigado! Pouco depois do FIQ passado (2013), eu comecei a trabalhar como professor de educação infantil – e isso toma muito tempo. Eu demorei tanto pra me adaptar, que cheguei a passar meses longe do Facebook. Fora isso eu tenho trabalhado com storyboard. Em Março de 2015, eu comecei a fazer o storyboard de um longa-metragem e isso me mantém desenhando semanalmente. Talvez tenha sido isso?

Como conciliar a ideia de ser alguém da divulgação das HQs (com o podcast) e um quadrinista?
Felipe – Eu não sei responder isso. Eu adoro quadrinhos como mídia e admiro demais quem trabalha com isso no Brasil, levando a sério e sempre produzindo material novo. Infelizmente, não é isso que eu faço. Saca o filme Quase Famosos? Eu acho que sou tipo aquele piá do filme que deu sorte de viajar de ônibus com a banda.

Como surgiu o Guia culinário do Falido?
Felipe – Eu amo o Leo (Finocchi) e a Marilia (Bruno). Eles são amigos bem próximos e, apesar de morarem no Rio, nós nos falamos sempre. Nós queríamos fazer algo juntos faz tempo, mas não conseguimos – especialmente por minha causa.
Eu também queria fazer uma HQ com a Samanta (Floor) e decidimos fazer um guia culinário já que ela é a maior expoente de quadrinhos gastronômicos do Brasil. Na hora, já decidimos chamar a Fernanda (Chiella), pois, além de ter um desenho fabuloso e ser divertidíssima, nós três estávamos nos falando em um grupo do Whatsapp.
Quase que automáticamente decidimos chamar a Marília (com quem dividimos mesa na Gibicon em 2014) e o Leo. Rapidinho, a Marília tomou as rédeas de organizadora da HQ e o Leo de editor cobrando a gente. Ele terminou as páginas dele rapidinho e o Guilherme Kroll, da Balão Editorial, fez o convite para que publicássemos com eles. Para mim foi tudo bem fácil: houve uma fusão dos dois grupos do Whatsapp com quem eu mais falava. A gente bate-papo, conta piada, desenha e nos divertimos e no final saiu um quadrinho. Parecia mágica.

Arte de Felipe 5 Horas no Guia Culinário do Falido

Você está trabalhando em algum lançamento só seu?
Felipe – Eu estou desenhando uma HQ curtinha, mas acho difícil que ela apareça até o FIQ. Quadrinhos dão muito trabalho e pouco dinheiro, então tem que ter muito amor pela parada. Vamos ver se o amor vence essa :P

DENIS MELLO

Denis Mello

Denis Mello

Você vive de fazer quadrinhos?
Denis – Eu vivo para fazer quadrinhos, e a meta é viver de quadrinhos, sim. Abri uma empresa para produzir quadrinhos educacionais, mesmo desfocando um pouco dos meus projetos autorais, vejo como uma possibilidade bacana de fazer quadrinhos para segurar as contas, em vez de ter que catar freela de ilustração, oficinas e outras coisas que eu até faço bem, mas não me dão o mesmo prazer. Por enquanto, não posso responder “sim” à pergunta, mas vou correr atrás nessas duas frentes: autoral e educacional. Acredito no ditado de que trabalho bem feito encontra seu espaço e tenho convicção que ainda chego lá. Porém, preciso de mais foco e concentração. Sempre tive, mas confesso que me perdi um pouco esse ano. De qualquer forma, observo com muito cuidado o mercado e o crescimento de público, e estar bem preparado e traçar estratégias eficientes de publicação e captação de público é importante nesse momento. Então procuro acompanhar tudo e estou preparado para retomar a produção autoral com força, mas sem pressa. O mais importante para mim agora é fazer bem. Se não for o meu melhor, se eu correr e por conta disso entregar algo para o leitor abaixo do que sei que posso fazer, vou ficar decepcionado. Não quero flertar com a frustração, às vezes fico muito triste pelas coisas não serem mais simples, queria só sentar na prancheta e desenhar.

Beladona é uma HQ de terror. De que forma se ater às convenções do gênero e ao mesmo tempo trazer algo de novo?

Denis – A verdade é que eu li pouquíssimos quadrinhos de terror, então Beladona está impregnada com uma percepção bastante particular de horror. Eu tinha vontade de explorar esse gênero, adorei quando a Ana me convidou e veio com esse plot, apesar de não saber naquele momento que estenderíamos tanto. Um dos motivos dessa continuidade é que eu fiquei simplesmente apaixonado pelas minhas páginas, encontrei uma libertação no traço de terror, em desenhar o bizarro, o macabro… Mesmo mudando de gênero, me vejo carregando essas características daqui pra frente. Tem muito de narrativa do Eisner ali nos pesadelos, na ausência do requadro, a valorização do suspense, o gancho obrigatório no final de cada página, mesmo que sutil, pelo fato de ser uma página por semana. Mas uma resposta clara para a pergunta seria: Eu não me impregnei do que havia no gênero antes, então não reproduzi o tradicional. É o meu terror na parte de ilustração, e felizmente a Ana é apaixonada por esse gênero, em todas as mídias possíveis, e ela mandou absurdamente bem no roteiro. Ainda me deu toda a liberdade para pirar esteticamente, foi lindo demais.

Arte de Denis Mello em Beladona

Qual a importância de Beladona ter sido publicada na internet gratuitamente antes?
Denis – Bom, criamos um publico legal, fizemos a HQ ganhar relevância. Antes da publicação impressa já tínhamos leitores fiéis, e que não eram mais ainda porque falhamos miseravelmente na divulgação, nossa vibe era só produzir (página no Facebook, por exemplo, só abrimos depois de mais de 2 anos publicando a HQ, só em 2014). O próprio portal do Petisco ajudou bastante, pois tinha um público próprio que convertemos. Recebemos indicações ao HQ Mix como melhor webssérie em todos os anos de publicação digital, eu fui indicado como artista revelação também. Isso tudo ajudou a criar corpo para a campanha no Catarse. Não tenho certeza de que conseguiríamos arrecadar tanto se não tivéssemos criado essa aura de credibilidade com a publicação online. E uma mão lava a outra, a divulgação massiva durante a campanha tornou a história muito mais conhecida, conseguimos moral para chegar mais forte no HQ Mix por exemplo, e enfim vencemos na nossa categoria natal: webquadrinho. Chegamos a procurar algumas editoras na Rodada de Negócios do FIQ em 2013, já com indicações a prêmio e bastante coisa produzida, levamos uma pasta com as páginas impressas etc… Alguns disseram que não se interessavam por HQs que já saiam na internet, que isso não casava com a linha de projetos que eles visavam. Outros mais próximos e que assumidamente curtem a HQ disseram que o projeto era simplesmente muito grande para fazer o investimento: o livro de 200 páginas e com o acabamento que nós sabíamos que merecia. Já imaginávamos que o Catarse seria a única alternativa possível, mas confirmamos isso naquele dia. Gostamos de dominar o processo, mas a esperança era não precisar passar por todo o desgaste da campanha (e do pós-campanha). Mesmo assim conseguimos a AVEC como parceira para distribuir uma fração da tiragem e alcançamos espaços como as livrarias (nas quais não tínhamos nenhum know-how).

Tem algum trabalho em andamento?
Denis – Tenho sim, estou trabalhando no roteiro de uma minissérie que pretendo publicar no próximo ano, chama-se Vimana. O plot se aproxima na verdade da literatura de ficção cientifica, com conceitos de civilizações perdidas, viagem no tempo, arqueologia misteriosa, guerras ancestrais, reencarnações etc, e é algo que me deixou muito animado. Mas esse fim de ano está uma loucura, eu não vou estabelecer previsões agora, está complicado, mas vai ser algo lindo. A intenção é produzir essa história divida em poucos capítulos, publicar online primeiro. Dependendo de como estiver a minha vida e do desenrolar do processo de Vimana, posso investir tempo em uma série maior continuada com outra história que tenho engavetada, mas preciso entender muito bem as etapas disso antes de me comprometer, não quero começar e largar pela metade depois. Mas até lá devem rolar uns 2 anos, e o nosso mercado tá sempre mudando tanto em tão pouco tempo, vou ter paciência e fazer uma coisa de cada vez. Querer fazer tudo ao mesmo tempo já me retardou esse ano, não vou correr o risco de perder minha paz de espírito novamente. Apesar do que ainda tem que enviar o livro de rpg da Beladona quando ficar pronto, rsrs.

Amanhã chega na Itiban e venha ver se o amor vai vencer mais essa!

Esse post foi publicado em Convidados, Entrevista e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s