Conversamos com Marcello Quintanilha

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Marcello Quintanilha, nosso convidado do sábado (apareeeeeça), nos respondeu algumas perguntas. Não se esqueça: dia 28, 16h, bate-papo e sessão de autógrafos para o lançamento de Talco de vidro.
Quais as dificuldades ou preocupações na tradução dos seus livros?

Quintanilha – São as dificuldades inerentes à transposição, para outro idioma, de especificidades e características de uma língua tão complexa e rica como a portuguesa, especialmente no que diz respeito à coloquialidade do texto. No entanto, tive a oportunidade de trabalhar junto à tradutora e discutir cada ponto de maneira muito específica e acho que o resultado é bastante positivo.

Como é rever depois de 6 anos Sábado dos meus amores, agora que o álbum foi lançado na França?

Quintanilha – A pergunta parte do pressuposto de que houve um possível distanciamento meu em relação a esse trabalho nos últimos seis anos, mas isso não ocorreu dessa forma. Portanto, não o revi, propriamente, porque nunca estive afastado dele, nem jamais o vi de forma distanciada ou pertencente a uma etapa determinada.

A recepção de Tungstênio foi muito boa, tanto no Brasil quanto fora daqui. Isso de alguma forma aumenta a sua responsabilidade com Talco de vidro?

Quintanilha – Não, sob nenhum aspecto. Não sinto o peso de nenhum tipo de responsabilidade.

Como surgiu Talco de vidro?

Quintanilha – Talco de vidro surgiu da minha intenção de trabalhar um tipo de mentalidade, uma forma de entender o mundo, poderíamos dizer, excessivamente familiar a todos nós, gostemos ou não, e muitos dos pontos de vista expressos pela personagem principal sintetizam uma imensa gama de princípios através dos quais se podem estratificar não somente camadas sociais, mas também uma intrincada rede de sentimentos que condicionam nossas vidas de forma quase totalitária e com os quais duelamos cotidianamente.

Você disse em entrevista para a revista Época que “É fundamental que as histórias produzidas no Brasil adquiram outro patamar, subam de qualidade, tragam mais profundidade. Essa consolidação depende do quão capazes serão os produtores de ampliar a parcela de público interessada em quadrinhos; o quão capazes seremos nós, artistas, de conquistar novos públicos.” O que faria os artistas subirem a outro patamar? Há algo que os impede?

Quintanilha – Historicamente há uma percepção generalizada de que a qualidade da maioria das histórias produzidas no Brasil, de alguma forma, não acompanha a qualidade de seu correlativo gráfico. Isso ganha relevos ainda mais complexos se acrescento que, do meu ponto de vista, desenho e texto são coisas indissociáveis na criação quadrinística.

Contribui para essa sensação o fato de que muitos quadrinhos parecem ter como sustentação de suas propostas apenas a leitura de outros quadrinhos, ou seja, que a matéria-prima de muitos artistas parece vir quase que exclusivamente do próprio meio no qual atuam, deixando de lado fatores tão importantes no processo de criação como podem ser outras formas de expressão artística, se queremos dar a isso um enfoque bastante genérico.

Além disso, acho que, em linhas gerais, nos conduziria a outro patamar da produção atual a diversificação das propostas. Como disse na mesma entrevista, o quadrinho autoral está em pleno processo de amadurecimento; no entanto, publicações de gênero têm muito menos representatividade nos dias que correm.

Não creio que haja fatores preponderantemente impeditivos no que se refere ao desenvolvimento do processo atual, considerando que sejamos capazes de manter as mesmas condições — e ampliá-las em um momento posterior — a médio e longo prazo; e acho que a diversificação de gêneros seria um passo, um desdobramento natural do panorama no qual nos movemos hoje.

O que mais tem mexido com você como artista nessas últimas notícias do mundo: atentados na França, ataques raciais nos EUA, crise na economia europeia, um movimento popular brasileiro com viés mais conservador (fique a vontade pra falar de qualquer outra coisa também)? Ou tem se mantido a parte disso?

Quintanilha – Não sei poderíamos aplicar a isso uma perspectiva que se sustentasse exclusivamente pelo viés artístico, mas me choca sempre o grau de radicalização ao qual uma imensa parcela da população tende a se inclinar uma vez que malhas do tecido social têm suas estruturas abaladas por conjunturas desfavoráveis.

Esse é só o aquecimento, sábado tem mais!

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2 respostas para Conversamos com Marcello Quintanilha

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