Galvão!!

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Ontem já falamos com o Koostella, hoje é dia do Galvão:

Galvão Bertazzi, goiano que vive em Santa Catarina, publica suas tiras em diversos jornais do país. Pra publicar seu material, criou sua própria editora a Juarez & Donizete e vai lançar 3 álbuns na Itiban quinta-feira: Vida Besta, Conejos e As crônicas bizarras do Absurdyum.

1) Não são todos os criadores de tiras que conseguem fazer histórias longas em HQ. O que muda no seu processo entre o Vida Besta e o Absurdyum, por exemplo?

Galvão – Enquanto eu não fecho uma tira, eu não saio de cima do papel ou da frente do computador. É impossível! Tem tira que fica pronta num tapa, outras vezes o processo de desenho e finalização toma muito tempo. Aconteceu a mesma coisa com a história do Absurdyum. O que começou com um desenho de um caipira com as mãos em chamas, foi tomando forma e enquanto a coisa toda não estivesse fechada dentro da minha cabeça e nas minhas mãos, não conseguia parar.

Esse processo me tomou um pouco mais de um mês de trabalho, full time. Trabalhava mais de 15 horas por dia, desenhando feito louco e minha cabeça fervia, tomava litros de café, dormindo pouco e comendo rápido pra voltar praquilo. Foi intenso.

Com tira é bem comum começar sem saber ao certo o que vai acontecer ali e costumo desenhar tudo antes de conhecer a situação, qual é a história e o que os personagens estão pensando ou dizendo, por exemplo. Minha pretensão com uma tira é a de apresentar uma situação que é corriqueira ao leitor e elevá-la a um certo nível de absurdo. Foi mais ou menos assim com o Absurdyum. O desenho veio muito antes da narrativa e da alocação dos personagens e das suas ações dentro de um certo contexto que fosse coerente, mas de certa forma, absurdo.

Cara, vou ser sincero. Eu desenhei mais da metade das páginas do livro sem ter a mínima ideia do que estava acontecendo ali! Não sei se fica parecendo frenético demais isso tudo, mas foi assim. Pelo menos é assim que eu me lembro. Acho que isso reflete um pouco nas páginas do livro.

2) As crônicas bizarras do Absurdyum é uma trilogia. É isso mesmo? Como está o andamento do resto do material?

Galvão – É isso! Ainda faltam mais dois livros pra fechar toda a história. Nesse primeiro apresentei os personagens e o universo em que se inserem. Eu quis arremessar o leitor naquela realidade, sem dar muita explicação. O que eu buscava nesse primeiro livro era movimento e ação, dentro de uma boa história.

Quando eu era mais novo e só comprava quadrinhos de super-heróis, confesso que muitas vezes tinha preguiça de ler toda a história, mas ficava horas olhando pras cenas de pancadaria, explosões, a porradaria que comia solta. Eu amava aquilo! Ia na banca pra ver as novidades. Folheava de leve as revistinhas e se não tivesse pelo menos umas boas páginas de lutas, socos e pontapés, eu nem levava!

É de certa forma, um gibi que eu gostaria de ter comprado há 20 anos, quando eu ia na banca, mas com roteiro mais denso. A narrativa tinha que ser muito boa, mas tinha também que se adequar ao traço.

Como eu falei, eu não planejava desenhar nem mesmo um único livro, mas a história tomou vida própria e página após página, fui percebendo a necessidade de deixar a mitologia mais consolidada, mais sólida. É sobre isso que serão os próximos livros. Quero trabalhar mais a história dos personagens, suas origens e o que os motivam.

O segundo livro está na finaleira. Quero terminá-lo antes do fim do semestre e lançar ainda esse ano. Tive mais tempo pra pensar nele e no roteiro. Dessa vez, desenho e roteiro estão andando junto e o processo é bem menos nervoso do que no primeiro livro.

São quase cinco anos desde o primeiro, então o desenho está um pouco mudado, as páginas também. Está sendo divertido!

3) Como foi e recepção de Absurdyum na Itália? Como conseguiu publicar lá?

Galvão – A Clélia Pinto, tradutora italiana, trabalhava num projeto acadêmico e minhas tiras eram seu alvo de pesquisa.  Mostrei pra ela o livro e ela quis mostrar pra a Lavieri, uma editora de lá. O contato foi feito e a coisa rolou! Imagina só, cara! Eu estava publicando meu primeiro livro! Na Itália!

A Lavieri Editora organizou tudo e fui convidado formalmente a participar do Napoli Comicon. Eu não entendi NADA! Muita gente já tinha contato com a história, perguntavam coisas, queriam saber quando sairia o segundo livro e etc.

Foi uma puta recepção!

Além da convenção napolitana, ainda viajamos pra várias cidades pra lançamentos menores e mais intimistas, conheci muitos artistas de lá e fiquei muito feliz com a seriedade em que as coisas eram feitas ali.

A história do livro foi pensada pra ser universal, mas tem muitos elementos tipicamente brasileiros (sem qualquer tipo de ufanismo), e isso me deixa um pouco apreensivo. Tenho receio que muitas coisas passem despercebidas pelos leitores de lá.

4) Por que resolveu fundar sua própria editora, a Juarez & Donizete? Pretende editar alguém que não seja você mesmo?

Galvão – Ah, cara. Sempre quis publicar por uma editora brasileira mas nenhuma editora brasileira nunca quis me publicar. Ha ha ha! Então, eu mesmo tive que fazer isso! Demorou um bocado pra sair algum trabalho meu fora da internet, mas está sendo legal.

Aconteceu toda uma confluência espaço-temporal mística para que eu me associasse a um parceiro secreto e se tornasse viável bancarmos um primeiro lançamento, o Vida Besta. Nasceu aí, a Juarez & Donizete Editora. Queremos sim lançar outros autores, mas precisamos primeiro, aprender a andar, entende?

5) Você pensa em fazer HQs exclusivas pra internet ou para tablets? Se interessa pelos tais motion comics?

Galvão – Cara, por mais de uma década eu só existi dentro da internet. Por um bom tempo, as minhas tiras Vida Besta eram quase que exclusivas pra web. Agora, já existem no mundo físico e estou bem a fim de dar umas voltas fora da rede. Publicar mais coisas, viajar pra lançar, conhecer outros artistas. Estou me focando nisso e tem muito projeto vindo por aí.

A Juarez & Donizete Editora tem um site próprio – www.juarezedonizete.com – e além de poder comprar os livros impressos, pode-se baixar algumas outras coisas em .PDF (como esta aqui) pra serem lidas no computador ou mesmo imprimir, se assim quiser.

Acho que a ideia de fazer uma animação completa, um desenho animado, me soa mais divertido do que um motion comics. Com o sucesso estrondoso da nossa editora, estamos pensando em abrir um grande estúdio de animação pra competir com a PIXAR e a DISNEY. Rá!

—-

Então, dia 21, quinta-feira, 19h, Galvão vai falar mais como dominar o mundo, junto do Koostella e do Pedro Franz, na Itiban. Apareeeeeçam!

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2 respostas para Galvão!!

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