Quadrinho$$

Jim Zub saca suas armas

Uma postagem de Jim Zub chamou atenção semana passada e foi repercutida em boa parte da mídia especializada dos Estados Unidos.

O escritor da série Skullkickers, publicada pela Image, fez as contas (e mostrou) quanto cada autor em uma editora ganha por edição.

A resposta é 30 centavos de dólar por gibi vendido, considerando o preço de capa de US$ 3,99. Os cálculos e até um gráfico pizza estão aqui. Aqui para uma versão traduzida pelo pessoal dos Melhores do Mundo.

E Aqui o próprio Jim Zub comenta o estardalhaço que causou.

Págian de Skullkickers

Página de Skullkickers

A primeira associação que vêm à mente é como (ou quanto) isso tem a ver com o mercado de publicação de quadrinhos no Brasil.

Algumas diferenças entre lá e cá precisam ser consideradas, claro: o esquema de distribuição via Diamond por lá,a possibilidade de tocar uma série autoral sob um selo editorial, o mercado independente que aposta muito nas revistas mensais, a possibilidade de que sua HQ renda produtos derivados (filmes, bonecos, jogos), tiragem etc.

Não sei dizer se o maior número de convenções por lá ajuda os independentes a venderem mais que as nossas convenções por aqui. Ou se a cultura mais ligada às HQs dos EUA influencia muito as vendas.

O fato é que ser independente no Brasil, algumas vezes, é a única opção de ver a sua HQ na mão de outra pessoa. Pra isso é preciso tirar dinheiro do bolso e arriscar. Não sei dizer se os independentes recuperam o dinheiro investido ou se estão nessa só porque queriam ver seu trabalho impresso e serem lidos.

Autores autografam durante a Gibicon 1

Autores autografam durante a Gibicon 1

Os financiamentos coletivos também garantiram algumas revistas a mais em circulação no circuito independente, e parecem ser uma boa opção. Mas há duas questões que nem passo perto de ter as respostas – o que não me impede de chutar:

É possível viver de quadrinhos no mercado independente brasileiro? Não sei se alguém consegue pagar as contas com HQ, seja de editora ou não, acho que só quem desenha pras editoras norte-americanas. Ou seja, não é questão de ser independente ou estar em uma editora. Basta pensar que também há poucos escritores que vivem exclusivamente de sua escrita no país.

O que fazer com as edições impressas do trabalho? É provável que a tiragem seja algo em torno de mil exemplares. Dá pra vender pela internet, mas o forte mesmo é venda em eventos e lançamentos. A distribuição do material não vai passar pela Chinaglia (que abastece as bancas de revista) ou pelas distribuidoras de livrarias e comic shops (ou chegará somente a algumas delas) devido ao pequeno volume de transações. O próprio autor terá de ir atrás de livrarias para vender o seu trabalho (e algumas delas não aceitam material que não venha da distribuidora). E depois que acabar os lançamentos, como escoar o restante do material que ocupa seu apartamento inteiro?

No mercado brasileiro de quadrinhos, apesar de já se publicar quadrinhos há tanto tempo, tudo ainda engatinha. A possibilidade independente que se reforçou nos últimos anos por razões tecnológicas e econômicas, deu um impulso de liberdade à publicação de autor. Ninguém além de você precisa querer para fazer sua HQ para que ela exista. Mas é bastante desejável que haja pessoas interessadas em seu trabalho.

Também não há uma representatividade suficiente de quadrinhos independentes com um claro interesse comercial. Não que isso seja a salvação ou a perdição desse nicho.

Acho que quase ninguém conseguiu fazer o negócio render por aqui. Ainda.

Tudo ainda está cercado por possibilidades. O lance é descobrir qual delas é a melhor pra todo mundo: artistas, leitores e lojistas.

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