Monstros!, de Gustavo Duarte

Apesar de Monstros! ser o seu primeiro álbum por uma editora, Gustavo Duarte é um autor de histórias em quadrinhos experiente.

Antes deste livro, além de trabalhar como chargista e caricaturista por vários anos em diversos jornais, ele publicou três revistas independentes com histórias curtas, mantendo as mesmas características: uma enorme expressividade narrativa, traço preciso para os movimentos dos personagens, muito humor e ausência da palavra.

No álbum lançado pela Quadrinhos na Cia., todas essas características foram mantidas, mas um novo limite foi rompido. Essa é sua HQ mais longa e responde claramente à questão se Gustavo Duarte seria capaz de manter uma história maior sem o texto. Quem duvida, que leia o gibi.

A premissa é bastante simples: três monstros chegam a Santos pelo mar e fazem aquilo que criaturas gigantescas fazem de melhor: destroem a cidade. Quem resolve impedi-los é o dono de um bar, que sabe o que fazer para acabar com aqueles seres.

Estudos e o original de Monstros!, divulgados no blog do Orlandelo

Toda a simplicidade da trama, se complexifica no página a página. Não que isso signifique que Gustavo Duarte seja um artista experimental. Ele usa com muita competência os recursos mais basilares dos quadrinhos: traço, ponto de vista e recorte de ação.

No traço, se percebe a personalidade, a dinâmica e o poder expressivo dos personagens. Não são figuras paradas uma ao lado da outra. Elas têm energia e força.

Ponto de vista, que muita gente chama de “câmera” (embora não haja câmera alguma), é o lugar de onde o olho do leitor verá a cena desenhada: por cima da cabeça, na altura do chão, de frente, pelas costas. São muitas opções, que Gustavo Duarte consegue usar muito bem, sem ser excessivo ou exagerar para mostrar habilidade. Tudo acontece a favor da narrativa.

Quanto ao recorte de ação, é talvez a técnica mais básica das HQs, mas nem por isso, a mais bem desenvolvida. É a escolha de qual momento de uma ação será paralisado e colocado no quadrinho. Parece ser muito simples, mas a identificação precisa desse momento é toda a diferença entre uma página chamativa e uma sequência fluida ou uma série de desenhos estagnados.

Como o Gustavo controla muito bem esses três elementos – além de outros – o resultado final é uma história em quadrinho divertidíssima, que nos conduz até o final de modo muito ágil. Basta abrir a primeira página e você já é capturado pelos monstros de Duarte.

O único problema é que a fluência de leitura é tanta, que às vezes você deixa de curtir as belas cenas. Mas basta voltar as páginas e apreciar a HQ. Monstros! é, de fato, pra ser lido e relido.

Ah, e amanhã o Gustavo Duarte estará na Itiban para bate-papo, autógrafo e lançamento deste álbum. Apareça! A bagunça começa a partir das 17h.

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