Acabou a Gibicon

Love Hurts, do Murilo Martins, cativou os Stormtroopers

No domingo dia 28 acabou o maior evento de quadrinhos do Sul do Brasil, a Gibicon. Muita gente legal passou por aqui e curtiu um monte os convidados, palestras, bate-papos, filmes e muita coisa legal.

As impressões sobre o evento já começam a aparecer nos blogs e sites por aí (O Érico Assis comentou no Omelete, o Poderoso Porco escreveu no Melhores do Mundo e o Tex Willer Blog colocou algumas imagens dos autores da Bonelli em Curitiba. Confira!).

Nós conversamos rapidamente com Fabrizio Andriani, organizador da Gibicon, e com José Aguiar, curador do evento.

Qual foi sua avaliação da Gibicon 1?

Fabrizio – Foi muito boa. Apesar de a data (eleições) e o clima terem dificultado o acesso do público achamos que o resultado geral foi muito bom. A organização foi ótima e os convidados nos cobriram de elogios. Sabemos que temos que afinar muitas coisas, mas cada evento nos apresenta novos caminhos a serem trilhados, e estamos somente na segunda edição (sendo que a primeira foi a edição zero).

Qual foi a resposta do público ligado à quadrinhos e do público geral?

Fabrizio -A resposta do público dos quadrinhos foi ótima, mas senti muita falta da uma participação maior do público infantil. Teremos que corrigir isso nas próximas edições.

Com duas Gibicons de experiência, o que você já pensa em mudar ou fortalecer para a próxima edição?

Fabrizio -Certamente fortalecer a parte de apoios e patrocínios com uma lei de incentivo federal. Melhorar ainda mais as parcerias e estabelecer a programação com muito mais antecedência, pois ela se fechou esse ano tarde demais e acabou prejudicando alguns aspectos do evento. Na curadoria, vamos cuidar mais dos conteúdos das mesas interagindo de maneira mais intensa com os convidados.

Por que a opção de o evento ser bianual?

Fabrizio -Bianual por dois motivos principais: 1) Mais tempo para organizar todo o evento; e 2) Intercalar com o FIQ de Belo Horizonte.

O que se está sendo pensado para a Gibicon 2?

Fabrizio -Muita coisas, mas ainda embrionárias. Seguramente, na próxima edição não poderá faltar um convidado (ou mais de um) americano. Queremos também fortalecer a presença dos quadrinhos infantis com algum nome de peso como Mauricio de Sousa ou Ziraldo. Temos ainda muitas outras ideias, mas essas iremos divulgar futuramente.

 

 

O evento aconteceu conforme esperava?

José Aguiar – Sim, como esperávamos. A Gibicon cresceu de todas as formas. Foi um gigantismo necessário e desafiador que certamente marcou a vida de todos: artistas e público. Nossa ideia era mostrar o potencial da cidade em adotar os quadrinhos, preenchendo seus espaços culturais com as HQs de forma mais completa ainda que em 2011. Desta vez estávamos mais preparados para o desafio, pois já tínhamos a experiência do evento “piloto”. Curitiba enfim se tornou oficialmente uma capital dos quadrinhos brasileiros e mundiais depois dessa Gibicon. E, para nosso orgulho, a relevância histórica que nossa cidade sempre teve no meio enfim foi catalogada, registrada e oficializada para todo o país, que não costuma olhar muito para o que acontece de relevante fora do eixo. É claro que aconteceram ruídos como convidados que não compareceram, problemas em alguns espaços e até o tempo ruim dos primeiros dias. Mas isso é algo de se esperar num evento dessas proporções. Agora é hora de deixar a poeira baixar e avaliar esse formato de evento, seus prós e contras para fazer da edição de 2014 impecável.

Você foi o curador da Gibicon. Como foi esse trabalho?

José Aguiar – Como curador eu respondi pela seleção dos convidados e pelos temas das mesas de debates, oficinas e palestras. Dividi parte das curadorias expositivas com o Fabrizio (que acumulou a coordenação geral) pois, como deve imaginar, o volume de trabalho foi enorme. Estamos recebendo inúmeros elogios pela qualidade das mostras como um todo. Como esperado, a mostra de Liberatore e dos Quadrinhos Russos foram arrasadoras. Tesouros da Gibiteca, Mundo de Haarman (de Isabel Kreitz) também estão elogiadíssimas. Mas especialmente Tesouros da Grafipar sensibilizou a mídia pelo resgate histórico inédito de um dos mais importantes e ignorados capítulos da história e editorial brasileira. Um aviso importante a todos é que as exposições ficam abertas a público até 25 de novembro. Não há porque perder essa oportunidade.

Já existem ideias para a segunda edição do evento?

José Aguiar – Assim como esta edição herdou ideias que não foram possíveis de realizar no ano passado, pretendemos em 2014 aprofundar mais o quadrinho nacional e também a relação com os quadrinhos do oriente.

Agora, o seu ponto de vista do autor: como foi o lançamento de Folheteen -Tiras pra todo Lado na Gibicon?

José Aguiar – Como autor era “de honra” ter a oportunidade de lançar um quadrinho local, ainda mais o meu quadrinho, durante a Gibicon. Ainda mais com o aval do Fernando Gonsales, que escreveu o prefácio. Fiquei muito contente, pois as pessoas reagiram muito bem ao formato do livro. Pude apresentá-lo a muita gente nova. Especialmente no sábado, autografei até cansar. Foi certamente a experiência mais intensa nesse sentido que tive até hoje. Além do mais, ao promover o concurso de roteiro para a tira, em parceria com o jornal Gazeta do Povo, consegui divulgar o livro ao mesmo tempo em que abri espaço para novos talentos se manifestarem. Eu não poderia estar mais contente principalmente porque, através desse lançamento, a Quadrinhofilia se torna uma pequena editora independente. Um selo para lançar meus projetos autorais. Pode esperar três para o próximo ano. Um deles será o álbum de luxo Folheteen – Direto ao Ponto.

Qual sua relação com a Grafipar, a editora homenageada da Gibicon 1?

José Aguiar – Minha relação começou junto com a minha chegada na Gibiteca, em 1990. Lá fui aluno de dois artistas que fizeram parte da editora: Paulo Nery e Claudio Seto, que foi um dos primeiros a me publicar. Mas eu só fui saber da relevância da Grafipar anos depois. Quando Fabrizio Andriani e eu realizamos a Gibicon 0, uma das exposições foi Seto – Samurai de Curitiba, em homenagem a meu professor. A partir daí veio a ideia de aprofundar essa história e revelar o passado da Grafipar. Através da Quadrinhofilia, minha empresa, inscrevi o projeto no edital de Ocupação de Espaços da Fundação Cultural de Curitiba. Assim me tornei coordenador e curador desse projeto, que teve produção da minha sócia, Fernanda Baukat. Esse projeto nos trouxe muitas satisfações, pois pudemos além da exposição, deixar um grande retorno para a cidade. Realizamos um catálogo distribuído gratuitamente, conseguimos doações de revistas originais daquela época para o acervo da Gibiteca e também 40 painéis expositivos que darão autonomia para a Gibiteca realizar suas próprias exposições daqui por diante. Também recebemos nas atividades da Grafipar os alunos carentes das Regionais da Fundação Cultural, o que nos deu muita satisfação. Mas o mais importante foi promover o emocionante reencontro de alguns dos grandes artistas que escreveram e desenharam essa história. Se pudéssemos teríamos reunidos todos. Mas mesmo assim foram quatro dias antológicos!

A Gibicon é um evento que se forma ao redor da Gibiteca de Curitiba. Qual é sua relação com a Gibiteca?

José Aguiar – Minha relação com esse espaço é muito pessoal. Me tornei aluno em 1991, depois professor até 2010. Lá fiz amigos incríveis, participei de intensas atividades culturais e me tornei autor de quadrinhos graças a somatória dessas experiências todas. Ao ajudar a realizar a Gibicon estou devolvendo à ela e à cidade os presentes que recebi durante mais da metade da minha vida. Enfim, não estou exagerando ao dizer que a Gibiteca é muito maior do que aparenta.

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Uma resposta para Acabou a Gibicon

  1. foca cruz disse:

    massa.
    fiquei fã.
    abçs.

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