Ensaio de entrevista

Hoje é o lançamento de Ensaio do vazio, Alvoroço e Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo – vol. 3, com Carlos Henrique Schroeder, Diego Gerlach e Pedro Franz na Semana Literária e Feira do Livro. Ontem postamos três respostas de Franz e Gerlach sobre suas obras.

Hoje algumas considerações dos dois e de Schroeder sobre a HQ Ensaio do vazio.

Carlos Henrique Schroeder é autor de diversos romances e livros de contos e teve a ideia de transformar um romance seu em uma história em quadrinhos.

De onde surgiu a ideia de transformar o livro Ensaio do vazio em uma HQ? Você, Carlos, já gostava das histórias em quadrinhos?

CARLOS HENRIQUE SCHROEDER – Eu sempre fui leitor de quadrinhos, quando era garoto tinha as coleções completas de X-Men, Hulk e Homem Aranha. Era fãzão do Demolidor, que é um personagem extraordinário, complexo, cheio de dilemas. Primeiro fui leitor de quadrinhos, depois caí na literatura. Continuo acompanhando, principalmente novelas gráficas, Asterios Polyp, Daytripper, tem uma porrada de mangás malucos (Inoue, os Tamaki, o Yokoyama), as coisas do Mutarelli, que além de tudo é um cara muito bacana.

Como chegou a esses cinco nomes para Ensaio do vazio?

CARLOS HENRIQUE SCHROEDER – Inicialmente o Pedro Franz faria a adaptação sozinho, mas ele sugeriu outros quatro nomes e o pessoal da editora topou. Fizeram um sorteio para definir quem ficaria com qual capítulo, e começaram a trabalhar, com total liberdade, não houve nenhum corte ou intervenção da editora, eu também não intervim em nada, pois meu trabalho acabou quando escrevi o livro, quadrinhos são outra linguagem, que não domino.

Qual foi o impacto de ver a leitura de cada um desses artistas para o seu livro?

CARLOS HENRIQUE SCHROEDER – Eu achei muito legal, principalmente que o resultado ficou bem experimental, cada quadrinista num capítulo, e no último capítulo há uma quebra narrativa, pois a Leya trabalha com gravuras, tudo isto faz com que o projeto se aproxime de uma instalação gráfica, ao invés de uma novela gráfica. Uma coisa mais aberta.

Você vê diferença entre uma adaptação nos moldes de Ensaio do Vazio e de uma história original para HQ? Pensa em escrever um roteiro de quadrinhos?

CARLOS HENRIQUE SCHROEDER – Numa adaptação você precisa seguir alguns eixos narrativos, existem alguns compromissos, e há também a mutação da linguagem. Num roteiro original você parte do zero. Eu tenho algumas ideias de roteiro, algumas coisas rascunhadas, penso em fazer algumas parcerias com alguns quadrinistas no futuro. Eu gostaria muito de saber desenhar, meu filho de dois anos desenha melhor do que eu, quem sabe ele vire um quadrinista, terá meu incentivo, hehe.

 

Diego Gerlach e Pedro Franz são responsáveis pelos dois primeiros capítulos do álbum.

Como aconteceu o convite para trabalhar em Ensaio do vazio? Já conheciam a literatura do Schroeder?

PEDRO FRANZ – Já conhecia o trabalho do Carlos e inclusive numa edição da revista literária LADO 7, saiu um conto dele e uma HQ minha. Foi o próprio Carlos entrou em contato comigo para fazer o convite para adaptar o livro. A ideia original era que eu adaptasse sozinho o livro, mas por ser um caso bastante único de adaptação para os quadrinhos de um autor contemporâneo e a própria narrativa do livro ser bastante fragmentada e não linear, sugeri que fizéssemos o trabalho em conjunto com outros quatro artistas: cada um cuidaria de um capítulo. Apresentei então o trabalho do Diego Gerlach, Manuel Depetris, Berliac e Leya Mira Brander para a editora e eles entenderam a proposta. Fizeram então o convite aos artistas, que toparam, e fomos em frente.

DIEGO GERLACH – A proposta inicial era que o Franz fizesse a adaptação mas ele teve a ideia de dividir em um capítulo por quadrinista. Foi aí que me foi feito o convite, e aos outros também, e foi o que mais empolgou logo de cara, a natureza fragmentada que o resultado necessariamente carregaria. Não conhecia o trabalho do Carlos antes de trabalhar no livro.

Vocês dois investem em um trabalho bastante pessoal, em que roteirizam e desenham tudo. Como foi trabalhar com uma equipe tão grande?

PEDRO FRANZ – Apesar da equipe grande, o trabalho foi bastante solitário. Decidimos quem cuidaria de cada capítulo através de um sorteio. A editora e o Carlos nos deixaram completamente livres desde o começo para fazermos como queríamos, sem interferências em nosso trabalho. Nossas únicas restrições eram o formato (20x28cm), e o número de páginas (que poderia ser entre 15 e 30 páginas). Inclusive, como se vê no resultado, poderíamos trabalhar tanto em PB quanto colorido. Essa liberdade possibilitou cada um trabalhar como queria, adaptar o texto original da forma que melhor achava.  A grande diferença, pra mim, com relação a minhas outras HQs, foi criar a partir de um texto que já existia. Encontrar a maneira de transformar aquela história escrita por outra pessoa em algo meu, mas mantendo a voz do texto. Acho que aí esteve a maior dificuldade (e ao mesmo tempo a parte mais interessante como desafio) no meu processo de adaptação.

DIEGO GERLACH – Apesar de ser uma obra conjunta, cada um produziu em isolamento com uma série de diretrizes mínimas (principalmente o aspecto dos personagens, que associamos ao de atores. Berliac terminou bem antes de mim e me mandou a parte dele, e acho que acabou influenciando meu trabalho. Já que ele estava produzindo na Argentina, ajudei com algumas referências de ambientação da história. 

Os cinco artistas conversaram entre si durante o processo?

PEDRO FRANZ – Conversamos por email, principalmente para definir a aparência dos personagens principais, pois nisso era importante ter uma continuidade de um capítulo ao outro. Além disso, algumas trocas de ideias sobre o processo, ou sobre alguma interpretação de algo e alguns enviaram o que iam fazendo. Mas foi um processo bastante solitário. Democrático, anárquico e solitário.

DIEGO GERLACH – Quase nada, só mais próximo da reta final. Rolou, da minha parte, um certo estado de sítio. “Será que vou ser o último a terminar? Será que o minha parte vai ser a única parte de merda?!! :~~” Mas no final fiquei mais satisfeito com o resultado conjunto do que poderia ter previsto.

Para mais perguntas aos autores, vá à praça Santos Andrade, em Curitiba, às 17h45 e assista ao (e participe do) bate-papo com mediação de Yuri Al’Hanati.

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