Diego Gerlach e Pedro Franz

Conversamos com Diego Gerlach e Pedro Franz por e-mail, para dar uma preparada no terreno do bate-papo de amanhã, na feira do livro & semana literária, às 17h45. Eles falarão sobre Ensaio do vazio (com presença de Carlos Henrique Schroeder) e dois lançamentos individuais. A minientrevista de hoje é sobre esse último material.

Pedro Franz vai lançar o terceiro e último volume de Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo – que está disponível para leitura online.

Qual a sensação ao final de um projeto como o Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo, que durou anos? Rola um vazio pelo tamanho do envolvimento, sensação de dever cumprido, foco total no próximo projeto, vontade de dar um tempo…

PEDRO FRANZ –  Difícil de responder com certeza, mas acho que foi uma mistura de tudo isso. Sendo um projeto muito longo, que levou muito tempo pra ser feito, foi certamente um alívio ter terminado. Havia me prometido parar um tempo após terminar Promessas…, mas enquanto fazia, fui me envolvendo em meus projetos seguintes. O próprio Ensaio do vazio aconteceu enquanto terminava os últimos capítulos de Promessas…. E escrevi um roteiro novo para uma HQ (que já está desenhada e deve sair ainda esse mês), além de outros dois projetos maiores que também surgiram enquanto fazia o Promessas….  Ao mesmo tempo, quando terminei, ainda havia toda a parte de buscar o financiamento para a publicação (que envolveu vender, através de leilões pela internet, todos os originais das páginas da HQ) e da própria impressão da revista (que incluiu definir o projeto gráfico, cuidar da revisão, ver a parte de gráfica). Acho que a sensação de dever cumprido só vai se formalizar quando chegar da gráfica a revista impressa.

A evolução de seu traço e do uso das cores é bastante perceptível no Promessas…. Você gosta de o seu trabalho marcar essa mudança ou você não vê essa transformação?

PEDRO FRANZ – Foi algo que em nenhum momento eu quis esconder e, inclusive, me interessava evidenciar essa mudança, que não é só no traço, na maneira de desenhar, mas também na própria narrativa, no jeito de contar a história. O formato das publicações impressas (por exemplo, o fato de o segundo volume serem páginas soltas dentro de um envelope) e os materiais que usei para desenhar a HQ foram parte disso. Mesmo já tendo desde o início uma vontade de fazer algo assim, de que cada capítulo tivesse uma estrutura gráfica e narrativa diferentes, as escolhas surgiram durante processo, enquanto desenvolvia a HQ.

Há uma relação com o movimento Occupy, a primavera árabe e outros movimentos sociais em Promessas…. Só que você colocou isso na sua HQ antes de acontecer no mundo. Você vê isso também?

PEDRO FRANZ – Acho que tudo isso já vinha acontecendo pelo mundo e 2011 foi uma espécie de auge disso tudo. Mas já vinham rolando coisas grandes em Atenas, Seattle, Gênova e até aqui em Florianópolis. Todos esses focos de resistência que vinham acontecendo por aí e me interessava falar sobre isso. Mas com certeza aconteceu algo grande em 2011 e foi interessante estar fazendo Promessas… enquanto tudo isso aconteceu.

Diego Gerlach vai lançar Alvoroço, HQ que faz parte de um universo chamado Pinacoderal inventado pelo próprio autor, que é uma doideira só.

Alvoroço é uma HQ que faz parte de um universo seu chamado Pinacoderal. Como surgiu essa ideia? Quais outras HQs suas faz parte desse mundo?

DIEGO GERLACH – Pinacoderal surgiu como uma série sci-fi desconjuntada e apocalíptica, inspirada na ‘abordagem obscurantista’ de criação adotada por Moebius na elaboração de A Garagem Hermética. Com o tempo me ocupei com outros projetos e as ideias ficaram fermentando na minha cabeça por um bom tempo, bem mais do que deveria pra criar uma história ‘automática’. De modo que esse universo se expandiu, agregou personagens e se consolidou na minha cabeça. Agora sinto que tenho inúmeras linhas narrativas e pra explorar dentro desse conjunto de regras.

Alvoroço é estrelada pelo Boy Rochedo (a.k.a. “O Espírito de tudo que é massa”), um dos personagens de maior destaque no universo de Pinacoderal. Nessa história em particular, o que temos é uma tentativa de criar uma atmosfera que seria algo próximo de ROMANCE nessa cidade medonha.

A maioria das histórias até aqui apareceu de maneira espalhada: na Prego # 4 foi a primeira história impressa do Boy, Antigo Testamento Style; a expo Uive Quando Se Sentir Eterno (uma HQ produzida pra ser lida no espaço de uma galeria; os zines xerocados Pinacoderal # 1-4 (que somam quase 100 páginas da saga e vão ser compilados num volume único mais adiante); O Plexo Holístico; os zines Imploda Quando Se Sentir Lombrado e Jamais Vu; a história Deja Vu, que vai sair no Gibi Gibi #2; Pala Licantrópica da Vibe da Santíssima, que vai sair na Samba # 3; e Estouro de Manada, uma ‘graphic novel xerocada’ que está sendo lançada pelo meu selo, Vibe Tronxa Comix.

Qual é da Pinacoderal?

DIEGO GERLACH – Algumas ideias gerais a respeito da história. Pinacoderal é uma cidade num futuro distante, sombrio e muito quente, onde vivem humanos normais e seres chamados de ‘novos humanos’ ou ‘neo-humanos’, que apresentam características que os distinguem dos demais. Há uma grande paranoia a respeito de quem é ou não humano, e a própria realidade vem sendo questionada por conta desses novos seres. Suspeita-se que o ‘campo morfogenético’ do ser humano esteja em processo de transformação rápida, e muitos humanos tem por objetivo tornar-se algo mais. Seitas e coligações sinistras exploram o niilismo cristalino dos habitantes, e no meio disso acontecem LOUCAS PERIPÉCIAS.

Alguns personagens: O Boy Rochedo, um ogro tabagista crivado de pústulas, um ‘agente independente’ detentor de um ‘dom’ misterioso e de uma curioza marca; Lâmina Imperial, um lobisomem telecinético, ex-comediante, com sérios problemas de socialização; Verloq, um pixador mascarado, que patrulha de modo violento certos distritos da cidade; Dr. Jeová, um palestrante dotado de grande poder sobre o verbo, líder do ‘Comitê Aural Central’; Mestre Canis, um ser capaz de profanar os sonhos, fruto da fusão inexplicável de um cineasta maldito com seu amante canino; Caranguejêra, um punk com um apetite insaciável por drogas e carnificina, envolvido num affair destrutivo com uma artrópode etc…

Até onde imagina que o Pinacoderal vai? É uma “coisa” que vai estar em toda sua obra?

DIEGO GERLACH – Não faço ideia. Da maneira que Pinacoderal foi concebida, pode abrigar histórias de qualquer gênero costuradas numa narrativa maior. Confesso que estou muito empolgado.

Para mais ideias com os dois (e Carlos Henrique Schroeder) é só chegar na Feira do livro e Semana literária amanhã, 17h45, na praça Santos Andrade.

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