Entrevista com Roger Cruz

Sábado tem lançamento na Itiban, com Roger Cruz e Rafael Albuquerque. Para hoje, uma pequena, mas esclarecedora entrevista com o Roger:

Max, personagem de Xampu – arte de Roger Cruz

Xampu – Lovely Losers retrata uma São Paulo dos anos 1980. Quanto cada um daqueles personagens é você ou alguém que conheceu? Alguma daquelas situações são coisas pelas quais passou?

Quase todos os personagens são composições de características de pessoas que conheci e de quem ouvi falar. Eles também têm um pouco de mim e de minha visão, mas tentei deixar os personagens livres para tomar decisões diferentes das minhas. Os leitores costumam achar que eu sou o Max, personagem que narra a primeira história. E talvez seja o personagem que tenha mais caraterísticas minhas. Mas a história se passar nos anos 1980 e na periferia é o que mais me coloca diretamente na história.

Quando poderemos ler a segunda parte de Xampu?

Antes de lançar o proximo livro do Xampu, vou lançar outro projeto chamado Gutigutz, uma hq de humor e ação. Trabalho com Gutigutz há bastante tempo e já tenho um livro pronto com 80 páginas, faltando apenas as cores. Talvez eu consiga lançá-lo no primeiro semestre do próximo ano e depois volto para o Xampu.

Você ainda sente satisfação em desenhar para as editoras norte-americanas?

Quando decidi finalizar Xampu, pedi afastamento por tempo indeterminado das minhas obrigações com a Marvel, onde era contratado para desenhar uma edição por mês. Mas o envolvimento com o Xampu, com o tema e estilo de desenho me fez perceber que não queria mais desenhar super-heróis regularmente. Então, para resumir uma longa história, pedi rescisão de contrato, eles se recusaram a me liberar e impuseram condições para a liberação que me vi forçado a aceitar e que me impediram de prestar qualquer serviço para  qualquer editora americana durante um ano.  Agora, após um ano, estou livre para fazer o que eu quiser e para quem eu quiser no mercado americano ou para qualquer mercado.

Ainda gosto de desenhar super-heróis, mas não quero fazer 22 páginas por mês de quadrinhos de super-heróis. Gosto de desenhar o personagem que me dá vontade e de fazer da maneira que eu preferir no momento e apenas pelo prazer de fazer. Com aquarela, guache, nanquim, lápis, etc. Sou muito grato aos editores e fãs que me proporcionaram uma ótima carreira de quase 20 anos no mercado americano mas não consigo mais manter o ritmo de antes. Tenho outros planos e muitos deles nem mesmo envolvem o desenho.

Você trabalharia com mais alguém em um trabalho de pegada autoral, seja na arte ou no roteiro?

Estou trabalhando em parceria com alguns amigos, em projetos em que farei apenas os roteiros. Um deles já está bem adiantado, foi apresentado para uma editora e estamos conversando. Os outros ainda estão em fase de desenvolvimento. Escrever para outro artista desenhar é algo inédito para mim e estou gostando da experiência.

Por estar há tanto tempo no mercado de quadrinhos, você sente esse bom momento do mercado no Brasil que tanta gente defende?

Sou um cara extremamente mal-informado sobre esse assunto. Não participo de muitas conversas e nem penso muito a respeito. Mas gosto de fazer quadrinhos, de desenhar, botar as ideias no papel.
Parece mesmo um bom momento em um certo sentido. Tantos artistas produzindo, imprimindo, divulgando e vendendo por conta própria suas hqs. Vejo coisas muito boas sendo produzidas. Mas vai ser um momento melhor ainda quando estivermos pagando as contas fazendo hqs, como ocorre no mercado americano.

Quando eu comecei a fazer hqs, comecei fazendo quadrinhos autorais. Era movido apenas pela paixão pelos quadrinhos. Gosto de fazer hqs. Ainda tenho um pouco daquela paixão. Mas como optei por não mais fazer quadrinhos de super-heróis, preciso ter outras fontes de renda. Por exemplo, trabalho como ilustrador freelancer.

Assim, os projetos autorais sempre são feitos nas horas vagas, demoram para ficar prontos e não dão retorno financeiro. Mesmo assim, sigo fazendo hqs porque é o que gosto de fazer.

Conheça mais do trabalho do Roger Cruz no blog dele e no Flickr. O Gutigutz tem um blog exclusivo, assim como o Xampu.

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5 respostas para Entrevista com Roger Cruz

  1. Janara disse:

    No fim todo mundo cansa de super-herois.

    • Hugo disse:

      Podem cansar de desenhar, entendo perfeitamente, mas eu não me canso de ler! As histórias podem oscilar, mas a fantasia me acompanhará para sempre. É isto que garante meu pezinho na terra do nunca!

      • Claudio F. disse:

        Demais Hugo! Disse tudo, eu também penso assim e percorro esse sonho! Nossa como viajo com quadrinhos, vivo na terra do nunca. Um abração! Oportuno e certeiro comentário, pois hq pra mim é sonho, é diversão, é tudo!

  2. Pingback: Entrevista com Rafael Albuquerque | Blog da Itiban

  3. Pingback: Roger Cruz e Rafael Albuquerque na Itiban | Blog da Itiban

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